Votos não esperados

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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O voto decisivo para afastar o governador Carlos Moisés (PSL) no caso da compra fraudulenta de 200 respiradores de UTIs por R$ 33 milhões e nunca entregues, foi do deputado Laercio Schuster (PSB/Rio dos Cedros). Que votou a favor de Moisés no caso do reajuste salarial dos procuradores do Estado.  Há quem diga que motivado pela atenção que o governo dá ao seu rival Jerry Comper (MDB). Outra surpresa foi Fabiano da Luz (PT/Chapecó). “Prezamos pelo Estado Democrático de Direito e seguimos o que diziam o Ministério Público, Tribunal de Justiça e Tribunal de Contas do Estado, que afirmam não haver indício sobre o envolvimento do governador na compra dos respiradores”, justificou o petista para absolver Moisés. 

Uma situação inédita

Em toda a história política de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL) é o primeiro governador a ser afastado da função. E, pior ainda, por duas vezes no mesmo mandato. Além de peculiar arrogância. Também é inédito uma mulher, a vice-governadora Daniela Reinher (sem partido) assumir (hoje, 30) o governo duas vezes por força de processos de impeachment do governador. O primeiro em 2020, por conta do reajuste salarial concedido aos procuradores do Estado. Agora, pela compra fraudulenta de 200 respiradores para leitos de UTIs por R$ 33 milhões e nunca entregues. 

Outro péssimo exemplo

Também é inédito na história política de Santa Catarina o afastamento das atividades parlamentares e do mandato, de Júlio Garcia (PSD), até pouco tempo presidindo a Assembleia Legislativa. Ele é réu em inquérito acusado de lavagem de dinheiro, corrupção e enriquecimento ilícito, entre outros crimes.  Garcia indicou Eron Giordani, até então seu assessor de gabinete, para chefiar a Casa Civil em acordo com Carlos Moisés (PSL), no loteamento de cargos que incluiu o MDB e o PP. Com o afastamento de Moisés, Giordani já pediu para sair

Gato escaldado...

Medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado determina que a Federação Catarinense dos Municípios, presidida pelo prefeito de Araquari e pré-candidato a deputado, Clenilton Pereira (PSDB), só finalize a compra de mais de 3 milhões de doses da vacina russa Sputnik V quando houver garantias jurídicas de que o pagamento, a ser feito pelos municípios, ocorra somente após a entrega do produto e sua liberação pela Anvisa. O TCE entende- e a população, que paga tudo, também- que já bastam os R$ 33 milhões pagos pelas respiradores não entregues.

Moisés anuncia investimentos milionários

O governador Carlos Moisés da Silva anunciou na tarde de segunda-feira (29) o investimento de R$ 343 milhões na Segurança Pública do Estado. É o maior investimento já feito na história do Estado, suplantando inclusive os investimentos do Pacto Por Santa Catarina, de anos atrás.

Desta vez o Governo do Estado vai investir, com recursos próprios, em dois anos, R$ 343 milhões de reais em armas, viaturas, fardamento, estrutura para os policiais e sistemas de tecnologia.

Devem ser contemplados Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto Geral de Perícias e estruturas da Segurança Pública em todo o Estado. Também está prevista liberação de recursos aos Bombeiros Voluntários de Santa Catarina.

Ontem à tarde, também, foi assinada uma Medida Provisória para concessão de Auxilio Emergencial a Microempreendedores Individuais – MEI e a Micros e Pequenos Empreendedores com sede no Estado, para enfrentamento dos prejuízos econômicos e sociais causados pela pandemia do novo coronavírus.

Daniela em Brasília

Nesta quarta-feira (31) a governadora interina Daniela Reinher (sem partido) pega um avião rumo a Brasília. Bolsonarista de primeira hora, tem agenda com o senador Jorginho Mello (PL), amigo íntimo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que, na verdade, mal a conhece.  Mello, candidatíssimo a governador em 2022, já se ofereceu como porta-voz das necessidades de Santa Catarina junto ao governo federal. Como o fez na primeira vez em que Daniela assumiu o governo com o afastamento de Carlos Moisés (PSL) no episódio do primeiro pedido de impeachment.

O consultor Merisio

Massacrado nas urnas por Carlos Moisés (PSL) em 2018 por conta da “onda Bolsonaro” o ex-deputado Gelson Merisio, que migrou do PSD para o PSDB, sempre andou próximo à vice-governadora, Daniela Reinher (sem partido). E por quem trabalhou nos bastidores para que fosse excluída dos dois pedidos de impeachment aceitos pela Assembleia Legislativa. Agora, corre a informação de que Merisio, longe de desistir da ideia de suceder a Moisés, será consultado para a indicação de alguns secretários de pastas importantes. No ninho tucano, foi como acender um barril de pólvora já que o partido pensa em lançar candidato a governador.