Você vincula com as pessoas de qual forma?

Krismaira Rau Marcon

Psicóloga Infantil, Adultos e Casais. CRP 12/04595 , Psicopedagoga e Psicogenealogista.

Ver artigos

Os relacionamentos estão sendo cada vez mais questionados e sentidos, pois a frustração, a carência, o medo e a necessidade de controle tornaram-se formas de trocas nos vínculos com as pessoas. Quando nos relacionamos com as pessoas, precisamos observar qual o sentido dessa relação. Se é por necessidade, utilidade, vingança, dependência afetiva, desejo de aprovação e aceitação, competição, complexo de inferioridade e até mesmo solidão.

Estamos em um movimento interno (que a pandemia nos ensina) que está na hora de cuidarmos com mais amor de nós e compreendermos que o outro não é uma moeda de troca, onde colocamos certo preço e nos decepcionamos quando não fomos reconhecidos por depositar tal “confiança” nele (a).

Percebam qual é o seu desejo com as relações do seu trabalho, quais motivações tem em se relacionar afetivamente com alguém e também quais expectativas que você transfere para suas relações de amizade e na vida social. As relações sociais precisaram mudar, as relações afetivas migraram a tempos para relações de acessibilidade e aí, o que você espera do outro, do que o outro te dê, sem ao menos você saber o que têm a oferecer a ele?

Complexo pensar sobre as necessidades reais de se relacionar e começar a perceber que a maioria das relações estão baseadas em utilidades. “Eu preciso de você, eu não vivo sem esse trabalho, eu morro se você me mandar embora, eu faço uma loucura se não me queres mais”. Cadê o livre arbítrio aonde você assume as responsabilidades das suas escolhas, onde você se comporta como um adulto e não mais como uma criança que aprendeu que precisa pagar por tudo que a vida tem a oferecer, até mesmo pela aceitação e o amor de alguém?

                                                                 

Relações dependentes, onde um é vítima, outro controlador, onde não se pode expressar a simples opinião sobre determinado assunto. Relações profissionais e pessoais focadas em ganhos, só ganhos, onde as perdas são vistas como fracasso, não como aprendizados. Quais relações doentias vão trazer uma sustentabilidade de que cada um esteja onde está, vivendo o que se vive, simplesmente pelo fato de ser querido, respeitado, amado e estar ali porque precisa estar, onde necessita resolver as carências da criança que temos dentro de nós?

Amor verdadeiro é leve, prazeroso, não tem preço, não tem necessidade, tem somente o desejo que viver o melhor que se pode naquele instante. Aprenda que o valor de se entregar para viver relações, sejam sociais, afetivas, profissionais, não tem nada haver com preço. Reconheça o que você tem a oferecer, mas sem entregar a nota fiscal para mostrar ao outro o quanto custou o que você fez.

Lembre-se Juntos podemos mover o mundo, mas se a sua entrega for limitada por carências, um dia, a mágoa, a tristeza, a angústia, a raiva bate na sua porta, cobrando o preço das expectativas frustradas que você transferiu para as suas relações.

Pense nisso! Construa seu valor, assim você sentirá internamente o valor que têm uma relação “inútil”, onde você vive relações pelo simples fato de desejar estar ali presente, com foco, abertura de diálogo e respeitando o seu próprio tempo.

Até mais, se cuide!