Velhos hábitos, novas atitudes

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Éramos crianças e nossa avó não deixava que partilhássemos copos entre primos, ou, que déssemos uma lambida no pão com melado ou no gelado capilé uns dos outros. Nosso avô não permitia que entrássemos em sua casa sem descalçar os pés. Nós tínhamos tendência para desrespeitar a regra e os nossos pais não pareciam fazer caso desse comportamento, mas os avós estavam sempre a insistir na proibição. Anos mais tarde, percebi porquê.

Quando crianças, a tuberculose e outras moléstias, hoje risíveis, levaram muitos dos seus colegas de escola, amigos e primos. Não havia penicilina, e muitas das doenças que hoje estão erradicadas pelas vacinas, estavam ainda ativas, e esses rigorosos hábitos de higiene ficaram-lhes inculcados para sempre.

Pergunto-me se esta experiência, da qual hoje vivemos, nos deixará perenes os bons hábitos. Se os novos cuidados se tornarão rotina ou se, pelo contrário, quando chegar a cura ou a vacina segura, voltaremos ao feliz descaso de outrora. Será que manteremos o estado de alerta que a insegurança nos impôs, ou, vamos acabar por descontrairmos e regressarmos aos apertos de mãos mal lavadas, aos beijinhos e apertados abraços?

É que durante anos vivemos com baldes de pipocas em que todos põem a mão, levada à boca várias vezes para, vazia, regressar à fonte. Convivíamos com cardápios gordurosos de restaurantes passados de mesa em mesa, onde, com a mesma mão que se rasga o pãozinho do couvert, se pega numa azeitona para levar à boca, não diferente de bitucas, baseados ou bombas de chimarrão entre os beiços. E, até com bolos de aniversário, servidos fatia por fatia após soprados com intensidade pelos aniversariantes, às vezes mais do que uma vez, por causa do flagelo das velas mágicas que insistem em reacender, e que eram moda nos anos noventa!

Enfim, à luz da atual situação, vivemos uma vida inteira numa espécie de orgia de viroses. Sendo que, não posso deixar de pensar, foi por causa dessa promiscuidade de fluidos que ganhamos os anticorpos que nos fazem suficientemente imunes para sobreviver à imundície que é o mundo. Além do que, me agrada relembrar o tempo em que não éramos pessoas germofóbicas, obcecadas por higienizar tudo e manter a distância de todos.

É na verdade, como pensar no mundo pré-HIV, em que o sexo sem preservativo não era uma inconsciência, algo para perceber como um pequeno vírus pode transformar para sempre a forma como olhamos para os nossos hábitos mais íntimos, ancestrais e intuitivos, como fazer sexo, comer bolo de aniversário, ou abraçar os amigos.

Voltaremos algum dia à programação habitual? Ou como se ouviu por aí, ad nauseam, durante a quarentena, nada voltará a ser como antes? Eu acredito que relaxaremos, a seu tempo, mas num mundo diferente, porque a crise que se aproxima não terá passagem rápida, e sabemos por experiência recente, que uma crise profunda será sempre um retrocesso civilizacional. São anos de luta pelo direito à liberdade de expressão, à privacidade do lar e de movimentar-se para onde se queira ir e vir que se desperdiçam.

É o Estado social, conquistado a muito custo ao longo de décadas, que se torna alvo de ataques autoritários e irreversíveis por conta justamente de quem deveria defende-lo. São famílias que perdem casas, são vidas hipotecadas, sonhos desfeitos e bem-estar que se perde. São pessoas presas por tentarem a seu modo primitivo, salvaguardar o direito de todos, quando todos nada fazem!

Por outro lado, quero acreditar que estes meses distópicos nos trouxeram algo de bom. Por exemplo, ver que a capacidade de regeneração da Natureza em tão pouco tempo de abrandamento, pode servir de estímulo. Faz-nos crer, que ainda estamos a tempo de travar a escalada de destruição humana, diminuindo o nosso impacto ambiental e contribuindo para a regeneração com os conhecimentos científicos que temos, porque do resto, a Terra cuidará.

Quero muito acreditar nisso, nos abraços apertados e também, que continuaremos para sempre a desinfetar, não somente a nós e nosso ambiente, mas principalmente, velhas ideias de antigos sistemas que denegridem nossa inteligência e impedem que prosperemos.

Foto destaque: Look and learn, Bridgeman Images

Notas

Partidos buscam mulheres para se lançarem em campanha - Com o veto às coligações proporcionais, partidos políticos têm feito uma corrida interna para ampliar o número de mulheres dispostas a se lançar em campanha. Como a nova regra obriga a partir deste ano que cada legenda tenha, de forma independente, ao menos 30% de nomes femininos nas urnas, partidos que não alcançarem esse percentual vão ter de barrar homens na eleição. Se a cota feminina não for alcançada, a lista de homens terá de ser reduzida na mesma medida e a chapa será então proporcional. Em eleições anteriores, quando a cota do gênero já estava valendo, mas o veto às coligações ainda não, os partidos se coligavam e valia a média de candidaturas femininas do bloco. Na prática, uma legenda podia salvar a outra. Agora é cada uma por si. E além de estabelecer uma percentagem mínima de candidaturas de mulheres, as regras eleitorais determinam que os partidos destinem ao menos 30% de sua verba do Fundo Eleitoral para as campanhas femininas. A corrida por mulheres candidatas está acontecendo em todos os partidos.

Escola de gastronomia organiza duas oficinas - O Chef Gourmet, escola de gastronomia sediada em Jaraguá do Sul, está organizando duas oficinas para capacitação de interessados no universo gastronômico. No dia 22, o chef e professor Gabriel Leoni fala sobre melhores cortes de legumes e verduras para várias preparações e também como congelá-los. Já nos dias 28 e 29, é a vez de a chef Dominique Conceição ensinar aos participantes os segredos da preparação de ovos de Páscoa. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (47) 9 9115-8506 e 3055-0679. Para saber mais, basta acessar www.escolachefgourmet.com.br ou seguir as redes sociais da marca.

Secretaria de Saúde promove audiência pública - Os resultados do último quadrimestre serão apresentados à população pela Secretaria de Saúde de Massaranduba na segunda-feira (24), a partir das 9h30min, na Câmara de Vereadores. O relatório dará também os números consolidados do ano. A audiência é o meio pela qual a comunidade pode acompanhar a execução da programação anual da saúde relativos a 2019 e os principais detalhes sobre recebimentos e aplicação dos recursos financeiros e prestação de serviços.

CARNAVAL – O Clube Atlético Baependi promove no dia 25, terça-feira, o carnaval infantil a partir das 14h, com animação do Dj Xalinho e tendo como atração o Robô Led. No local haverá food truck. Evento gratuito para sócios e não sócios a R$ 5,00. Até cinco anos é livre.

Centenário realiza a festa de rei e rainha - A Sociedade Desportiva Recreativa Rio da Luz II – Salão Centenário, realiza no dia 22, sábado, a festa de rei e rainha com baile, a partir das 18h com a concentração dos sócios e uma hora depois a busca das majestades, Muriel Cristo e Jehnefen Tonello (rei e rainha), Natalício Shimanski, David Horongozo, Cecília Schimanski e Tânia Fischer (cavalheiros e princesas). Aldoir Oldenburg será o comandante. O baile começa às 20h30min com a Banda GBD, posteriormente o Grupo Chama e para finalizar a noitada, o Grupo Talagaço. O valor por participante é R$ 35,00 com direito ao buffet, duas horas de bebidas livre (cerveja, refrigerante e água) e impresso para o baile. Quem for apenas para o baile pagará R$ 15,00.