Um mês do afastamento do deputado Júlio Garcia da Alesc

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 55 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Amanhã (19) completa-se um mês do afastamento do deputado Júlio Garcia (PSD) da Assembleia Legislativa, determinado em 19 de janeiro pela Justiça Federal.

Garcia é um dos principais investigados em inquérito gerado pela Operação Alcatraz que investiga organização criminosa instalada no governo do Estado entre 2008 e 2019.

Comandada por ocupantes de cargos importantes em instituições públicas e detentores de forte influência política. Em resumo, contratações milionárias simuladas, sem qualquer cotação prévia de preços. Estima-se que na casa dos R$ 50 milhões.

O suplente

Garcia, réu em denúncia de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, cumpre prisão domiciliar.

Até março, salvo mudanças, a Assembleia convocará o suplente. É Jean Kuhlmann (PSD), que fez 28.830 votos em 2018.

Com isso, Blumenau terá quatro deputados estaduais. Os outros são Ricardo Alba (PSL), Ivan Naatz (PL) e Ismael dos Santos (PSD).

Kuhlmann, vereador duas vezes e com três mandatos de deputado estadual, em 2007 foi secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável no governo de Luiz Henrique da Silveira (MDB). Era filiado ao DEM, um dos partidos da Tríplice Aliança que reelegeu LHS.

Realidade

Quando SC recebeu as primeiras 144 mil doses da vacina Coronavac, a imprensa do “fique em casa” soltou foguetes.

Para os menos avisados, estava tudo resolvido. Mas se obrigaram a ouvir, por dever ético da profissão, especialistas no assunto: nada há, ainda, que comprove a eficácia das vacinas. Só o tempo e o número de imunizados dirá.

No mais, seguimos a passos de tartaruga. Previsões oficiais indicam que, neste ritmo, a vacinação vai até o final de 2023.

Sem previsão

Florianópolis está prestes a suspender a vacinação contra a Covid 19 exatamente por falta de vacinas. Com efeito dominó no resto de SC.

É preciso entender que as prefeituras dependem do Estado para receber os imunizantes. Que, por sua vez, depende do envio das doses pelo Ministério da Saúde, que não tem qualquer previsão, por enquanto, neste sentido.

De resto, o que temos, também, é muita irresponsabilidade de boa parte da população.

Merisio no PSL

Pelas mãos do deputado federal Fabio Schiochet, o ex-deputado Gelson Merisio pode aterrissar no PSL de Carlos Moisés, que no segundo turno da majoritária de 2018 impôs ao ex-presidente da Assembleia Legislativa uma derrota humilhante por conta da “onda Bolsonaro”.

Merisio, atualmente filiado ao PSDB, esteve em Brasília conversando com o presidente nacional do PSL, o advogado Antônio Rueda, assumindo a condição de pré-candidato.

Cenários

A ida de Merisio para o PSL deixa antever dois cenários: o governador concorre ao Senado. Como ele mesmo disse (embora seu desejo pessoal seja outro) não disputará a reeleição pelo PSL, mas será protagonista.

Recursos e tempo ele tem até a eleição de 2022 para recuperar a péssima imagem dos dois primeiros anos de governo. E, agora, com apoio de políticos do PSD, PSDB e PP. Ou Moisés quebra a palavra, filia-se ao MDB e concorre à reeleição.

Dando o troco

Schiochet foi o fiel escudeiro de Moisés nos dois últimos anos, de pura agonia do governador, acuado por pedidos de impeachment. Mas Moisés negociou com a oposição, deu secretarias e o relacionamento entre eles congelou.

A gota d’água foi a nomeação do ex-prefeito de Chapecó, Luciano Buligon (PSL) para o Desenvolvimento Sustentável. Schiochet, presidente do partido em SC, não foi consultado e sequer convidado para o ato. Agora, dá o troco.