Tudo indica que MDB, PSL E PP vão coligar em chapa majoritária o que pode salvar Moisés e Daniela do impeachment

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 68 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Tudo indica que MDB, PSL E PP vão coligar em chapa majoritária para tentar derrubar a reeleição do atual prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM). O que liberaria outras coligações municipais Estado afora onde for necessário juntar estes partidos com o único objetivo de se chegar ao poder. Que é o que interessa, de fato, à maioria. Até mesmo pela estapafúrdia união entre os que atiraram pedras uns nos outros na eleição de 2018. Tudo ilustrado, não poucas vezes, com um rosário de palavrões impublicáveis.

Mas esta aliança, se consolidada, dizem os entendidos dos bastidores da política catarinense, também teria reflexos na Assembleia Legislativa entre as bancadas dos três partidos que, juntos, somam 19 deputados. São votos mais que suficientes para salvar a cabeça do Carlos Moisés e da vice Daniela em todos os pedidos de impeachment já protocolados. Com a argumentação de que isso poderá desestabilizar (mais ainda) o governo.

Em troca, confirmando-se a vitória do candidato apoiado pelos três partidos (talvez Ângela Amin) e, quiçá, siglas de aluguel, acumulando precioso tempo na propaganda eleitoral, divide-se o butim de cargos na prefeitura da Capital proporcionalmente ao desempenho nas urnas. E, no âmbito do Estado, secretarias que possam ser politicamente atraentes.  Com Moisés, que já fala em “governo de coalizão”, desistindo de uma reeleição.

Dos R$ 686,7 milhões previstos para 2020, o Supremo Tribunal Federal já aprovou seu próprio orçamento para 2021(não depende do Congresso), saltando para R$ 712 milhões. E isso porque não haverá reajuste salarial para os 11 ministros, que já ganham o teto máximo de R$ 39,2 mil. O STF abriga quase 1.150 funcionários de fora do quadro. Somados aos 1.123 servidores de carreira, quase a metade com função gratificada. Na folha de pagamentos estão 2.273 pessoas. 

Entre merecidos, duvidosos, de caráter político e suspeitos, os benefícios fiscais concedidos pelo governo do Estado, atualmente, batem na casa dos R$ 6 bilhões/ano. Na tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias pela Comissão de Finanças e Tributação da Assembleia Legislativas, emenda estabelecendo que tais concessões passassem, obrigatoriamente, pelo crivo dos deputados, foi derrubada. É gente interessada em não levantar o tapete.

Orçamento do Estado para 2021 estima uma receita de R$ 30,6 bilhões. Porém, com despesa total projetada em R$ 31 bilhões, o que significa começar o ano com um déficit de R$ 449 milhões. Segundo a proposta assinada pelo governador Carlos Moisés (PSL) já protocolada na Assembleia, a receita bruta deve crescer 5,8%, porém a contadas despesas baterá em 7,3%. Isso não inclui benefícios fiscais e créditos tributários concedidos a centenas de empresas, da ordem de R$ 6,3 bilhões. A maioria do setor têxtil e vestuário (R$ 1,2 bilhão), mercadorias importadas (R$ 1 bilhão), e produtos do abate de aves, bovinos e suínos (R$ 725 milhões).

  • Brasil tem138 empresas estatais Deste total, 88 são subsidiárias da Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa, Correios e BNDES, em sua maioria totalmente desconhecidas do público. Ou o que fazem. Resumindo, são estatais “dentro” de estatais criadas ao longo de décadas. Só um exemplo: na área da Saúde, Ebserh, HCPA, GHC, alguém sabe o que é isso? A Caixa tinha um banco na Venezuela, que faliu.

Se contabilizadas as companhias que pertencem a estados e municípios, o total passa de 600, diz um levantamento feito pelo Ministério da Economia no ano passado. Juntas, essas empresas empregam mais de 800 mil pessoas, sendo cerca de 500 mil do governo federal. Em 2019, só o governo federal gastou R$ 9,3 bilhões a mais em salários com estatais do que arrecadou em dividendos e juros sobre o capital próprio no mesmo período: R$ 5,5 bilhões.