Tempos de intolerância

Sônia Pillon

Sônia Pillon é Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul. Nasceu em Porto Alegre (RS), com formação em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto e Gramática pela Univille (SC). 

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Por Sônia Pillon

Acordamos todos os dias com imagens assustadoras de guerras e confrontos urbanos, no Brasil e no mundo. As cenas explícitas de violência chegam pelos meios eletrônicos, por multiplataformas, através da vivência de um familiar, ou relato de alguém que presenciou algum tipo de violação de direitos. Está presente nos lares, nas escolas, nos estádios, clubes, bares, no trânsito, nas ruas, no meio rural, ou urbano. Em suma, a intolerância está presente em diversos aspectos do cotidiano.

Numa escala maior, as populações de países comandados por ditadores, ou atacadas por líderes “religiosos” extremistas, são dizimadas por interesses escusos de poder político. O resultado disso é o aumento descontrolado no número de refugiados, muitos dos quais acabam morrendo antes mesmo de chegar ao destino, ou são rejeitados nas fronteiras onde buscam refúgio. Ah, a intolerância!

É certo que, historicamente, crises econômicas e períodos de alto índice de desemprego costumam acirrar o sentimento de rejeição aos estrangeiros. Isso ocorre não somente nos países desenvolvidos, mas também em solo brasileiro. A xenofobia parece ter aumentado em grandes proporções, nos últimos anos.

Volta e meia nos deparamos com outra preocupação que assombra o planeta, que é a ameaça nuclear e a troca de farpas que podem desencadear uma terceira guerra entre as grandes potências mundiais. E nesse sentido, somos espectadores impotentes e temerosos de uma decisão da qual não participamos.

Assistimos grupos neonazistas, defensores da chamada “supremacia branca”, aos racistas que ressurgiram com força total na sociedade norte-americana, num retrocesso de décadas, que invalida as conquistas pelos direitos civis, abre feridas mal-cicatrizadas e um precedente perigoso. E no nosso país? Aqui a falsa imagem de país miscigenado e multirracial cai por terra quando assistimos episódios de racismo, injustiças, bullying e injúria racial, desvendados por vídeos viralizados na internet.

E o que dizer das pessoas que se negam a usar máscaras em plena pandemia e partem para a agressão ao serem contrariadas? Há os que utilizam a máscara de forma incorreta, com o nariz descoberto, e também se tornam agressivos ao serem alertados por descumprirem decretos que visam a preservação da vida. Tudo isso se resume a uma única palavra: intolerância.  

Vivemos numa época em que o diálogo parece ter pouco espaço, em que ideias divergentes relacionadas à política, religião, ou mesmo à orientação sexual, podem desencadear atos insanos. As redes sociais, cada vez mais polarizadas, se transformaram em trincheiras e ringues virtuais. O preconceito e a intolerância falam mais alto do que o bom senso.

É triste constatar que a humanidade, depois de tantos avanços tecnológicos, parece ter regredido, desaprendido lições básicas de civilidade.

Para que a cultura da paz se torne uma realidade, é preciso promover uma revolução humana. Alguém ainda não sabe que gentileza gera gentileza? Somos responsáveis por nossas escolhas e pelo que permitimos que aconteça à nossa volta.