Somos perspicazes?

Sônia Pillon

Sônia Pillon é Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul. Nasceu em Porto Alegre (RS), com formação em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto e Gramática pela Univille (SC). 

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Por Sônia Pillon

Sempre me considerei observadora. Em momentos distintos, perspicaz de situações periféricas. E a experiência também costuma ensinar, é claro!

É comum enxergar o óbvio. Aguçar os sentidos me preservou em muitos momentos, é verdade, mas nem sempre. É preciso reconhecer que os sentidos também enganam no julgamento de pessoas. Quem nunca quebrou a cara ao acreditar em quem não devia?

Captar o que é dito, ou escrito nas entrelinhas, identificar as verdadeiras intenções através do olhar, pode trazer vantagens. Mas também muitas decepções, quando se consegue ver claramente a falsidade de alguém. Vivemos em uma sociedade de máscaras, não é mesmo?

Em um clube, por exemplo, todas as atenções se voltam para as atrações de uma festa, ou evento de qualquer natureza. Em momentos assim, poucos se atentam aos que atuam nos bastidores para que tudo funcione como um relógio suíço. Se observassem mais atentamente, quem sabe poderiam notar o sentimento de cada um deles?

Essa mania de ficar de olho ao que acontece à volta, aliada à curiosidade aguçada... Na minha primeira viagem ao Uruguai, quando iniciava a faculdade, assisti a duas cenas que me marcaram muito, envolvendo bastidores. Um desses episódios aconteceu no interior de um cassino. Estávamos em uma excursão de turismo. Os frequentadores estavam deslumbrados com o luxo do ambiente, o chamariz perfeito! Em determinado momento, passei a observar os jogadores e uma mulher vestida de maneira bastante simples me chamou a atenção. Enquanto ela jogava, suas mãos tremiam, seu olhar era de angústia, de desespero, como se a sua vida dependesse do resultado da roleta... Toda aquela falsa alegria reinante no ambiente caiu por terra para mim. Que cena reveladora!

A outra imagem que guardo na memória ocorreu em uma pizzaria em que um casal entrou dançando tango. A dançarina, veterana e fora de forma para os padrões, se esforçou, mas recebeu poucas palmas. Ao se retirar, passou pela minha mesa, e reparei no seu semblante de tristeza, como se fosse sua última apresentação...

Por que lembrei de tudo isso? É simples. É porque acredito que não somos tão perspicazes como pensamos ser, em vários aspectos. É só observar o comportamento do ser humano para comprovar isso.

E especialmente em um ano tão desafiador como o de 2020, se torna crucial identificar o papel de cada um.  Em meio a essa pandemia, a pergunta que não quer calar é: o que a vida está pedindo a mim e a você nesse momento? Perceber e agir de forma assertiva, com certeza pode fazer toda a diferença. Para começar, responsabilidade, consigo mesmo e com os demais. Além do "Eu", considerar também o "Nós".

E você, leitor, se considera uma pessoa perspicaz?