Sindrome de Hubris! Um efeito do Coronavírus?

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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A hubris se manifesta por aí? Diz, um pseudo intelectual global, que sim! Diz, por exemplo, que há quem aprendeu artes bélicas recomendando remédio, embora jamais tenha aberto um livro de medicina. E o que dizer de nós mesmos, quando tentamos aconselhar alguém, ou indicar um remédio caseiro para nossos filhos? Ora bolas, intelectuais! Vocês sofrem dessa síndrome, que de longe, nada tem de excessos, a não ser, quando a projetam para denegrir alguém.

Uma consulta rápida à Wikipédia, que, colecionando sem crivo, um pouco de tudo, ocupa com vantagem o lugar que no passado se associava ao dicionário, diz que seria uma forma de loucura que levaria a uma pretensão de poder absoluto, de sabedoria ilimitada, e que acomete aqueles que estão no exercício do poder. Ora, o que se passa me levou à ousadia, também uma forma de hubris, de levantar a hipótese, e ninguém me desmentirá, de que historicamente, reis, políticos e também juízes, são muitas vezes, tomados pelo desvario do poder ao perder contato com a realidade, tendo a predisposição para ver o mundo como um lugar para a autoglorificação. Esta síndrome, partilha elementos com o narcisismo e a psicopatia. Para compreende-la, basta analisar as atitudes de ministros da corte, de governadores e prefeitos.

Com efeito, manifestações da hubris estão por aí. Se há quem aprendeu artes bélicas e que recomenda remédio, há quem tenha estudado direito, embora decrete de antemão, a suspensão de atos que deverão ser inconstitucionais, mesmo desconhecendo o seu conteúdo. A razão é indiscutível porque, obviamente, serão inconstitucionais, embora previstos nas atribuições constitucionais da autoridade prolatora, em vista das supostas inclinações políticas da mesma. Há colega deste, até ontem um estrito servo da lei, que dá andamento a mandado de segurança, que na lei, pressupõe direito líquido e certo, embora seja evidente que tal direito inexiste.

Há autoridades, até da humilde esfera local, que suspendem direitos fundamentais, como o de ir e vir, embora saibam, ou deveriam saber, que o exercício de tais direitos somente pode ser suspenso, nos termos da Constituição, por deliberação do Congresso Nacional.  Outro chega a proibir que se viaje de automóvel para manter isolamento, impondo que pessoa preservada pelo isolamento, viaje em ônibus lotado. Outro, de um município praiano do norte catarinense, impede que motoristas dirijam pela orla sem o uso de máscara. A não ser, que feche as janelas do veículo. É, o vírus sobrevive a milhares de milhas náuticas salgadas, e também a ousadia, em forma de hubris.

E os profissionais da medicina também brilham na hubris. Doutoralmente condenam remédios que tomam e prescrevem para si próprios. Criam “protocolos” para decidir quem vive e quem morre, o que antes, era deixado nas mãos de Deus. Assumem até o papel dos oráculos: “o pico da pandemia ocorrerá entre duas e nove semanas”. Se um leigo o dissesse, seria palpite. Para completar, um setor da classe política pede a anulação das eleições de 2018, porque alguém disse em entrevista que um delegado da PF haveria informado o filho do candidato vencedor de que um assessor deste seria objeto de uma investigação. A hubris, como se vê, não gera apenas desvarios, mas também alucinações. Sem dúvida, a hubris tomou também conta de mim. Se não, eu me pouparia de novos inimigos.