Secretário estadual de saúde quer esquecer o assunto dos respiradores

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 68 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Esse é um problema antigo, envelhecido, que está sendo utilizado de uma forma cruel, para se condenar um governo que, na verdade, foi o governo mais eficiente dos últimos dez anos. E a cada vez que a gente perde tempo para falar desse assunto, deixa de falar de coisas realmente importantes, que é o planejamento e o que fazer daqui para frente. Mas, eu espero que isso seja enterrado de uma vez por todas”. O inacreditável discurso é do secretário estadual da Saúde, André Motta Ribeiro, que há poucos dias esteve em Jaraguá do Sul, em resposta à pergunta de uma repórter da NDTV. Que o questionou sobre o destino dos R$ 33 milhões pagos à vista na compra de 200 respiradores pelo Estado e nunca entregues.

Ribeiro minimizou o sumiço do dinheiro a trocados dados a um mendigo em uma esquina qualquer. Mas, há motivos para que Ribeiro queira ver o assunto “enterrado”. Quando ainda era secretário adjunto da Saúde e homem de confiança do então titular da pasta, Helton Zeferino (exonerado), Ribeiro foi citado por testemunhas na CPI dos Respiradores (e ouvido lá) como um dos responsáveis pela compra fraudulenta. Mas, nega ter participado e diz que apenas indicou a quantidade necessária. Os equipamentos seriam destinados ao hospital de campanha planejado para Itajaí e que nunca foi montado, por força de denúncia. Custaria R$ 100 milhões com 100 leitos, o dobro de similares em outros Estados.

Agora, com a instalação do tribunal de julgamento da CPI dos Respiradores na sexta-feira (25), com cinco deputados e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça, Ribeiro volta à lista dos suspeitos. O que “explica” seu desejo de esquecer o assunto, mesmo com tamanho prejuízo. Mas, de qualquer forma, alguém terá de explicar sobre o paradeiro do dinheiro surrupiado dos cofres do Estado. Até porque, a cada fim de ano as contas públicas tem de ser fechadas e apresentadas ao Tribunal de Contas do Estado. Que, certamente, não as dará por aprovadas enquanto tal mistério não for solucionado, independente do fato de Moisés e a vice Daniela perderem ou não seus mandatos.

Mal começa a campanha eleitoral no prazo legal permitido pela legislação eleitoral e já se vê o mais do mesmo. São candidatos que “amam” suas cidades, uma penca deles com todas as soluções para áreas cruciais como segurança pública, educação e saúde (mas não sabem de onde tirar dinheiro) e até mesmo com “planos de governo”. Como se estivessem na disputa pela cadeira de prefeito.

Há outros que, no serviço público municipal, se aproveitam das garantias que o emprego lhes dá e saem candidatos a vereador. Sem a mínima chance, mas que tal umas férias extras até 15 de novembro por conta do contribuinte (sim, o salário é garantido) já que este “direito” lhes é assegurado em lei? Passado o mês de dezembro, férias de novo (janeiro). Bom, né?

Jaraguá do Sul- e o exemplo serve também para os municípios da região- tem 192 candidatos à vereador disputando cada uma das 11 cadeiras do Legislativo. A proibição de coligações nas eleições proporcionais deve ter atenção ainda maior do eleitor que, até então, às vezes sem o querer acabava ajudando a eleger (legenda) gente comprovadamente despreparada.

Naquela lista com os nomes de 989 pessoas físicas e jurídicas divulgadas pelo Tribunal de Contas do Estado, porque estão em débito pela não prestação de contas, ou que praticarem outras irregularidades com dinheiro público, está a atriz Vera Fischer. Que se fosse candidata a algum cargo nas eleições de novembro não poderia concorrer, já que passou para a lista negra do Tribunal Regional Eleitoral. No caso dela é um empenho feito em junho de 2006, de notas fiscais no valor de R$ 150 mil contra o Fundo Estadual de Incentivo à Cultura como forma de subsídio para a peça de teatro “Porcelana Fina”. Ela jamais prestou contas disso.

É possível que até meados de outubro o governador Carlos Moisés (PSL) e a vice Daniela Reinher (sem partido) sejam afastados dos cargos por seis meses. Por conta da equiparação salarial concedida aos procuradores do Estado em relação aos procuradores da Assembleia Legislativa, sem autorização do parlamento. Independente disso, a CPI dos Respiradores prossegue. Afinal, alguém terá de dar conta do sumiço de R$ 33 milhões.

O presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, réu em inquérito sobre lavagem de dinheiro e muitos outros negócios ilícitos, envolvendo parentes e amigos próximos é o sucessor de Moisés. Assume porque, diz a lei, tudo aconteceu antes do atual mandato. Em um eventual impedimento de Garcia (improvável), o sucessor é o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Roesler, também presidente do tribunal de julgamento da CPI dos Respiradores.