O VENTO DA MUDANÇA - METÁFORA PARA VIVER SEM MEDO

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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O mar pode ser plano, calmo; agitado, tempestuoso.

E o vento? ... ele existe ... as vezes não!

Ele gosta de mudar de direção e intensidade ... pode ficar tenso ... com rajadas.

Pode estar quente ou frio ... molhado ou seco.

Eu não poderia viver sem o mar.  Sem poder encher os pulmões ... mergulhar, nadar e pescar, ou simplesmente, sem poder caminhar com a água molhando as pernas.

Por isso, hoje eu quero falar sobre o mar, emoções, vento e mudança.

Você não acha que o mar e o vento, são uma metáfora perfeita para compreender o momento de angustia que enfrentamos, e também de nossas emoções?  Da nossa mudança de vida diante das incertezas que agora se abatem sobre nós?

Pense em serenidade, alegria, medo, raiva!

Pense na última vez que experimentou uma dessas emoções.

Você lembra ... aquele momento de serenidade ... e ... que alegria naquela ocasião.

Que medo noutra vez ...e ... quando você ficou bravo...

Não era como estar imerso na água daquele mar?

A água, assim como a emoção, te envolve completamente. Pode sustentá-lo ... pode afogá-lo.

E mesmo que você seja bom nadador, ela é sempre a protagonista; ela é quem faz você nadar!

Quando a água está calma e quente, ela te acaricia.

Um leve movimento ... flutuas sem esforço.

Quando está fria, no entanto, te enrijece ... dela não podes desfrutar.

Quando o mar está bravio, torna-se perigoso ... pode se transformar em inimigo.

Para se defender, você deve ser um nadador experiente ... não pode se deixar dominar.

Além disso, existem as armadilhas ... perigos ocultos ... imprevistos.

Eu tinha quinze anos. Era os anos 70.  Naquela época, havia uma plataforma flutuante no mar, onde com os amigos, a alcançávamos para nadar e mergulhar.

Nadávamos um pouco, e não era muito difícil voltar.

Um dia, desejei ser herói.  Então fui só. Nadei, mergulhei, mergulhei, e nadei novamente.

O tempo passou e a energia diminuiu. Estava exausto e talvez eu tivesse essa mesma energia para voltar ... quando ... naquele exato momento ... repentinamente ... o vento aumentou.

O vento da mudança! O chamam de "terral”, aquele que faz a "mudança do tempo".

Sopra da terra para o mar.  Forte.  Em rajadas. Um vento que ... afastou-me da terra!

Eu não o chamei, mas ele veio.

Poderia subir na plataforma e esperar por ajuda ... em vez disso, comecei a nadar contra o vento!

Eu corria o risco de não conseguir ... felizmente, a energia e confiança, eram maiores do que pensava.

Na praia, meus amigos se jogavam na água rasa para acertar uma bola que, lançada contra o vento, tomava trajetórias imprevisíveis ... o vento da mudança!

Ao mesmo tempo, o forte vento aumentou novamente ... ouvi vozes ... era medo em modo zelo!

Você ... onde você estava e ... o que estava fazendo?

Era você na plataforma, exausto e longe da costa ... porque não estava jogando bola na água rasa?

Então ... e agora?  Como é ... o mar de emoções pra você?

Que combinação estranha, não é? O vento da mudança e o mar de emoções!

Entretanto, ainda na plataforma, o vento não movia o mar.

O mar que me fez sentir alegria e serenidade, se transformou numa terrível fonte de medo.

Ainda lá, sem pensar, nadei com toda a minha força contra o vento "inimigo".  E consegui!

Hoje, acho que foi esse medo que me salvou. Aquele medo saudável que vasculhou todos os espaços ocultos, e encontrou em mim, energias vitais, e até inesperadas.

Daquele momento de medo, a vida tomou nova perspectiva.

Coragem ... bons ventos de mudança!