O SAPO E O ESCORPIÃO (1/3)

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio, e fez um pedido: “Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem? ” O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você irá me picar e o veneno fará com que eu afunde. ” O escorpião disse: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos. ” Desta feita, confiando no escorpião, o sapo concordou, levando-o nas costas. Mas, enquanto nadava, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. Atingido pelo veneno, e já afundando, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por que fez isso? E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião. Essa é minha natureza!”

Esta parábola bastante conhecida, explica muito bem alguns episódios de nossa pobre história política que, a todo custo, torres e peões que ainda restam no tabuleiro, desejam ardilosamente agravar. Para tanto, diante do tamanho furacão na política nacional, rememora-se uma das delações do Palocci, o braço direito do Lula. Disse ele, ao depor na Polícia Federal, que PT e PSDB são irmãos siameses, e também, fundadores do subversivo Foro de São Paulo. Ambos praticam a estratégia da ‘tesoura dialética’, ideia dos teóricos comunistas, Engels e Marx. Nada teórico, Lenin, sanguinário genocida soviético, sempre praticou a política da ‘estratégia das tesouras’, que em sua mente perversa, consistia em ter dois partidos, comunistas é claro, dominando os cenários, político, midiático, econômico e social de um país. Um deles, com viés estatal e usurpador das liberdades, e outro, com viés mais ameno, ‘democrático e apaziguador’.

Diante disto, dois dos protagonistas da corrupta política brasileira, FHC e Lula, selaram um pacto de camaradas que dava a cada um dos dois partidos, o direito de comandar o país por dois mandatos seguidos. Era uma forma de eterno revezamento no poder. Vê-se aí, quão maléficas são essas duas criaturas, pelo fato de desenterrarem das catacumbas soviéticas, esta que foi uma das mais bizarras formas de governo. Assim, o FHC do PSDB, governou por oito anos e, depois, passou a governança ao Lula do PT, para que este parasitasse por dois mandatos consecutivos, ceifando de vez a chance de que partidos de direita coexistissem e fizessem oposição ao sistema engendrado pelo velho sapo, FHC. Porém, acontece que o Lula se embeveceu pelo glamour, sentindo-se um deus, quiçá, um Napoleão de Garanhuns.

O Lula não quis abandonar sua “gloria” tão facilmente, e então, traiu seu pacto de sangue com o FHC ao eleger seu poste, a ‘multiple-esclerosis’ Dilma, para que a mesma se autodestruísse. Portanto, como um desastre chama outro, a criatura também traiu seu criador, afrontando-o, ao exigir o direito de reeleger-se. A criatura ‘venceu’ a eleição de forma duvidosa, justamente sobre o Aécio Neves, o abjeto garotinho do PSDB. FHC, o ‘socialista Fabiano’, foi duramente apunhalado pelas costas e resolveu vingar-se de ambos, afinal, traição é inaceitável para os camaradas da ‘comuna soviética’. ‘Fabiano’, é o termo concedido aos socialistas que acreditam na utopia de um ‘estado grande, provedor e assistencialista’, que cuidaria, ‘do berço ao túmulo’, não apenas dos pobres, mas, também da classe média, ironicamente, tão odiada por eles mesmos. Porém, é só um lema de campanha para atrair desavisados e pobres diabos.

Então, em nome da ‘governabilidade’, PT, PSDB, PMDB, DEM e outros tantos partidos que orbitam o sistema, organizaram-se em ‘capitanias hereditárias’ com o objetivo de lotear os ministérios em feudos particulares para chamar de seu, e dessa forma, saquear tudo o que fosse possível através de caixa dois. O sistema corrupto estava abastado e feliz! O povo? Distraído com pão e circo (Copa e Olimpíadas)! Porém, traição é um prato que se come frio, tanto carne de anta, quanto carne de lula! E, para o velho sapo, o escorpião ficaria melhor cozido em fogo brando, logicamente, depois de marinado em álcool. (...continua na próxima terça-feira)