O QUE SE EMPRESTA, SE DEVOLVE

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Eu sou um simples cidadão. Brasileiro, de pai e mãe. Daqueles que, com orgulho, viveram o Regime Militar e, mesmo decepcionado, tive a oportunidade de votar algumas vezes nas eleições deste país. Aprendi a ler o jornal de meu pai quando criança, e até hoje o faço diariamente. Em várias ocasiões, pensamentos e sentimentos passaram pela minha cabeça como resposta às inimagináveis notícias do paralelo mundo político. Hoje, em meio ao caos a que estamos submetidos, expresso os mesmos pensamentos e sentimentos depois de ler inúmeras delas relatando, além de atitudes que beiram a insanidade, gastos abusivos e inapropriados, embora próprios do cinismo de alguns coo-pandêmicos governadores e prefeitos “brasileiros”.  

Em algum momento da vida, pensamentos simples ou até ingênuos se formaram em minha mente, tais como: “Quando era criança, me ensinaram a devolver o que pegara emprestado”. Quer me emprestem um livro ou uma caneta, cuido mais deles do que se fossem meus, até porque, tenho que devolvê-los em bom estado. Mal posso esperar para devolvê-los porque receio perdê-los ou que a pessoa pense que eu quero mantê-los comigo para sempre. Além disso, geralmente os devolvo com uma pequena nota de agradecimento! E se é que me emprestem dinheiro, minhas mãos coçam para pagar o empréstimo o mais rápido possível, pois foi assim que me ensinaram quando criança, e é assim que eu sou!

E então eu me pergunto: Como é possível, que governantes e legisladores que elegemos para executar, legislar e fiscalizar, que recebem e gerenciam tanto dinheiro que obviamente não é deles, não desejem devolvê-lo o mais rápido possível? Sim, que devolvam, porque antes de tudo, não lhes pertence, é “emprestado”! Pertence ao povo que, com um voto de confiança, decidiu em eleições diretas “emprestá-lo” via impostos para que pudessem administrá-lo com responsabilidade, e mesmo que em sonho, recebe-lo de volta com acréscimos e talvez, uma pequena nota de “Obrigado por confiar em mim". Estou certo de que, se esse dinheiro fosse seu, governantes, não o gastariam em coisas absurdas e inócuas. Estou certo de que, se vivessem com um orçamento limitado, como muitos de nós, tomariam as melhores decisões para investi-lo em vez de criarem mais despesas. Gostaria de ter certeza de que, se tivessem alguma sobra desse orçamento, o poupariam como qualquer cidadão responsável que pense no futuro de sua família. Esse é o voto de confiança que lhes é dado. É para isso que os elegemos. Para gerenciar o dinheiro de forma inteligente e austera em favor da necessidade coletiva. E claro, para que ao final de cada 4 anos, possam, mesmo que simbolicamente, devolve-lo. E porque não? É mais que justo, e assim deveria ser! E não o contrário: apresentando ao povo contas que não fecham, gastos esdrúxulos e dívidas impagáveis para que o próximo governante, talvez de outra legenda, se torne administrativamente, inviável!

E, o que dizer do “chefe” de um dos três poderes que criou a monstruosa dívida pública a ser paga pelos cidadãos brasileiros sem que faça ele, a sua parte? Por que somente a população civil abatida financeiramente, será convocada a pagar através de um estupendo aumento nos impostos, o rombo nas contas públicas causado pela peste chinesa? Será que o povo terá de cobrar de seus políticos, através de métodos nada ortodoxos, a redução de seus salários, privilégios e despesas com apaniguados? E a última coisa que ressoou em minha mente, foi: Como seria bom se os governantes pensassem na oportunidade de ouro que nem todos tiveram! Viver à serviço durante o período em que tem a oportunidade de receber sob tutela o que pertence a todos, para ao final devolvê-lo com orgulho e maestria. Aproveitem esta oportunidade, por favor, para nos servir com sabedoria e honestidade. Pensem sempre em devolver o que lhes é emprestado, inclusive seus transitórios cargos, embora eu saiba que as coisas não funcionam assim. Talvez, eu seja ingênuo o bastante para acreditar em saci-pererê ou em santinhos do pau-oco! Mas, que é assim, é!