O "PERIGO É AMARELO? "

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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O Banco Central dos EUA alertou que as perturbações da economia chinesa podem se espalhar e afetar o resto do mundo. Entretanto, a COVID-19 poderá espalhar antigos preconceitos sobre a China. Essas reações hostis e preconceituosas contra asiáticos, não só de origem chinesa, mas também coreana, cambojana, vietnamita, filipina e japonesa, tomam vulto e envergonham a raça humana. Para cientistas sociais que vêm estudando a relação da contaminação versus preconceitos culturais, o episódio do COVID-19 não é novo, mas, uma atualização de antigos preconceitos associados aos asiáticos desde a epidemia de peste bubônica no século 19, ao surto mundial da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) no início dos anos 2000.

Segundo o Regulamento Sanitário Internacional, nenhum país pode tomar medidas unilaterais e extremas contra qualquer nação, sem evidencias que as sustentem. Além de, ética e moralmente desaconselhável, induz à xenofobia, especificamente, sinofobia: xenofobia contra a China. A forma mais nociva, talvez, seja o ódio digital e a difamação dos hábitos alimentares chineses, tratados como resquícios irracionais, nojentos e patogênicos de um passado obscuro. Entretanto, essa estigmatização contribui para a pressão internacional pelo banimento dos mercados molhados (wet markets), usualmente caracterizados por vender animais vivos e abatidos no local. Ironicamente, no início de janeiro, a própria China informou à OMS que os primeiros casos de Corona vírus poderiam ter, fortemente, uma ligação com um Wet Market na cidade de Wuhan.

O consumo de animais sinantrópicos como ratos, formigas, baratas, escorpiões e morcegos, isto sem falar em cães e gatos, atende a diferentes hábitos culturais, locais, na China, e podem ter finalidades, tanto alimentícia quanto mística, incentivando o preconceito generalizado contra a China. Para acadêmicos, inclusive orientais, estes animais sinantrópicos entram, sim, na lista de hipóteses para a origem do Corona vírus, pois, a sequência genética prova a compatibilidade. Com o pressuposto de não criar estereótipos sobre uma determinada cultura, grupo social, país, animal, pessoa ou objetos, os pesquisadores preocuparam-se em encontrar um nome oficial, que além de não estigmatizar (a exemplo da síndrome da vaca louca, gripe suína, gripe aviária, síndrome do Oriente Médio e etc.), fosse pronunciável nos mais diversos idiomas e estivesse relacionado à doença, além é claro, de ser “politicamente correto”, o que aliás, não ocorre por parte da China em relação a desgraça por ela causada. A irrelevante “preocupação” pelo nome oficial, vem pelo fato de que o termo “vírus chinês” viralizaria, criando certa fadiga no relacionamento multilateral, razão pela qual, o nome seja para a China, uma prioridade.

Estudos sobre a diáspora (dispersão) chinesa no Pacífico, apontam que aspectos sociais de epidemias, surtos e doenças ao longo da história, contribuíram para a estigmatização dos chineses, tanto assim que, na virada do século 20, eram vistos como os mais perigosos grupos de imigrantes. As principais causas da miséria destes imigrantes chineses, ignorados pelas pessoas daquela época e negligenciados pelas autoridades sanitárias, seriam os fatores estruturais dos guetos étnicos, as Chinatown’s, onde eram forçados a viver. Outra forma evidente de estigmatização contra o Leste asiático vem da expressão “perigo amarelo”, uma metáfora “racista” que a partir do século 19 os define como um perigo e uma ameaça existencial para o mundo ocidental. Outrossim, no livro homônimo “Yellow Perils”, lançado em 2018, os autores, Sören Urbanski e Franck Billé, fazem uma narrativa sobre a China contemporânea, onde os chineses são estigmatizados como bodes expiatórios em questões de saúde pública. Penso que o verdadeiro perigo, seja aquele que faz com que diferentes povos ignorem seus protocolos sanitários, que certamente, não diferem daqueles do passado e, ao negligenciá-los, possam estigmatizar outros povos. Quero crer que daqui em diante, sejam os severos protocolos sanitários, a chave comercial para a sobrevivência da raça humana!

Notas

Partidos buscam mulheres para se lançarem em campanha - Com o veto às coligações proporcionais, partidos políticos têm feito uma corrida interna para ampliar o número de mulheres dispostas a se lançar em campanha. Como a nova regra obriga a partir deste ano que cada legenda tenha, de forma independente, ao menos 30% de nomes femininos nas urnas, partidos que não alcançarem esse percentual vão ter de barrar homens na eleição. Se a cota feminina não for alcançada, a lista de homens terá de ser reduzida na mesma medida e a chapa será então proporcional. Em eleições anteriores, quando a cota do gênero já estava valendo, mas o veto às coligações ainda não, os partidos se coligavam e valia a média de candidaturas femininas do bloco. Na prática, uma legenda podia salvar a outra. Agora é cada uma por si. E além de estabelecer uma percentagem mínima de candidaturas de mulheres, as regras eleitorais determinam que os partidos destinem ao menos 30% de sua verba do Fundo Eleitoral para as campanhas femininas. A corrida por mulheres candidatas está acontecendo em todos os partidos.

Escola de gastronomia organiza duas oficinas - O Chef Gourmet, escola de gastronomia sediada em Jaraguá do Sul, está organizando duas oficinas para capacitação de interessados no universo gastronômico. No dia 22, o chef e professor Gabriel Leoni fala sobre melhores cortes de legumes e verduras para várias preparações e também como congelá-los. Já nos dias 28 e 29, é a vez de a chef Dominique Conceição ensinar aos participantes os segredos da preparação de ovos de Páscoa. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (47) 9 9115-8506 e 3055-0679. Para saber mais, basta acessar www.escolachefgourmet.com.br ou seguir as redes sociais da marca.

Secretaria de Saúde promove audiência pública - Os resultados do último quadrimestre serão apresentados à população pela Secretaria de Saúde de Massaranduba na segunda-feira (24), a partir das 9h30min, na Câmara de Vereadores. O relatório dará também os números consolidados do ano. A audiência é o meio pela qual a comunidade pode acompanhar a execução da programação anual da saúde relativos a 2019 e os principais detalhes sobre recebimentos e aplicação dos recursos financeiros e prestação de serviços.

CARNAVAL – O Clube Atlético Baependi promove no dia 25, terça-feira, o carnaval infantil a partir das 14h, com animação do Dj Xalinho e tendo como atração o Robô Led. No local haverá food truck. Evento gratuito para sócios e não sócios a R$ 5,00. Até cinco anos é livre.

Centenário realiza a festa de rei e rainha - A Sociedade Desportiva Recreativa Rio da Luz II – Salão Centenário, realiza no dia 22, sábado, a festa de rei e rainha com baile, a partir das 18h com a concentração dos sócios e uma hora depois a busca das majestades, Muriel Cristo e Jehnefen Tonello (rei e rainha), Natalício Shimanski, David Horongozo, Cecília Schimanski e Tânia Fischer (cavalheiros e princesas). Aldoir Oldenburg será o comandante. O baile começa às 20h30min com a Banda GBD, posteriormente o Grupo Chama e para finalizar a noitada, o Grupo Talagaço. O valor por participante é R$ 35,00 com direito ao buffet, duas horas de bebidas livre (cerveja, refrigerante e água) e impresso para o baile. Quem for apenas para o baile pagará R$ 15,00.