O ÓBVIO MAIS QUE IMPROVÁVEL

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Em meus artigos, sempre procurei não escrever sobre o momento, até porque, ele precisa de tempo. Os fatos precisam ser interpretados sob a luz da sapiência e não da emoção. Sempre procurei, tantas vezes em vão, encontrar o significado de tudo. Por exemplo, por que há pessoas boas e más, por que as pessoas boas fazem coisas más e vice-versa, por que entre pessoas que se querem bem pode haver frieza ou até maldade, por que certas pessoas traem, não uma apenas, mas milhões de puritanas consciências. Por que certas pessoas trocam ou jogam no lixo a ética que tanto defendem? Por que isto, por que aquilo! A lista é infindável, ainda mais, para quem tem um pouco de imaginação.

Hoje, escrevendo sobre a situação em que nos encontramos, observo com mais clareza o que acontece. A paisagem brasileira está de pernas para o ar: nada faz muito sentido. É tanta coisa inacreditável, embora, real. Porém, reflito quase constantemente sobre todas as loucuras, baixezas e leviandades praticadas por seres tão pueris. Mas, nada é para sempre. As coisas más, as fases ruins, também hão de passar. Mas, no momento, não sou otimista! Falsidade, mentiras, arzinho superior e palavras fantasiosas sobre questões fundamentais ... tudo é pior do que a dura verdade. Assustam-me discursos que neste momento dramático, alguns negam ou diminuem a gravidade, revelando o desvio de inacreditáveis fortunas que deveriam atender a maior vítima desse desastre, um povo despossuído, sem as coisas essenciais que lhe têm sido negadas, não por uma fatalidade, mas por ganância de quem já tem muito, mas quer mais.

Hoje, os acusados reagem com ironias, ameaças e invencionices. Fizeram de nós um dos piores países do mundo em quase tudo. Desviam agora, a grana do Corona Vírus, rebatizado de “malfeitos”!  Ninguém assume sua responsabilidade, pois melhor, é criticar adversários, países mais adiantados ou seus secretários, como se fôssemos todos idiotas. Na grande negociata nunca vista, todos tinham e ainda tem seu preço. Não foi barato! Pouco sobrou para o brasileiro mediano que ignorava fatos que atingiam seu bolso, sua esperança de uma vida decente. Era maquiagem de um desastre que foi escondido de um povo mal informado. Os investigadores, impressionados, admitem estar diante de tramas infindáveis de dimensão e sofisticação nunca vistas. Os investigados, denunciados e soltos continuam protestando contra tamanha maldade: todas vítimas do lobo mau da Justiça. Lobo, em pele de cordeiro. Hoje, todos afirmam com veemência que de nada sabiam: viviam em outro planeta. Não saber de nada passou a ser um triste refrão. Essa farsa acabou: não há desculpa perante uma nação ferida. Aliás, escondem-se como mocinhos insofismáveis atrás do negro manto da hipocrisia, da traição, e de mais uma grande mentira.

Hoje, com a ruptura de um modelo corrupto, uma parcela de políticos de todos os vieses se unem para trair a vontade popular garantida nas urnas e propor um golpe constitucional contra um presidente eleito pela vontade popular para trazer de volta o equilíbrio da balança, que por 34 anos pendia para a esquerda. Sem equilíbrio, não há democracia. Penso, que a figura constitucional do Presidente da República não pode e não deve ser questionada entre a classe política. Quem de fato tem esse poder, é o povo. Constatada a insatisfação popular, que lutem pelo impeachment! Se as ações de governo desagradam a minoria, que aceitem o resultado das urnas ... a maioria assim deseja! Se o que fala, agride a quem o agride diuturnamente, lembremo-nos das asneiras e sandices ditas pelos governos anteriores. E, diante dos atuais acontecimentos, melhor é apostar no impossível, porque é improvável que o óbvio aconteça!