Moisés convoca reunião para que ocupantes de cargos de confiança manifestem apoio a seu governo

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 68 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Uma vergonha! Foi preciso que o governador Carlos Moisés (PSL) convocasse uma reunião com todo o secretariado, presidentes de autarquias e outros subordinados do primeiro escalão, exigindo a presença física de cada um deles, para que ocupantes de cargos de confiança manifestassem apoio ao chefe do Executivo quanto ao processo de impeachment que enfrenta na Assembleia Legislativa, de caráter eminentemente político. Até então, Moisés foi voz solitária nas redes sociais, dizendo-se um injustiçado e propagando obras públicas em andamento. Com todo o restante do governo mudo, tal e qual passarinho na muda das penas.

Mas, diga-se, Moisés demorou absurdamente para exigir respaldo público de seus comandados como, aliás, tem procedido em outros assuntos mesmo quando uma atitude requer urgência. Afinal, se estão nos cargos muito bem remunerados, diga-se, é com a assinatura dele. Ao contrário, se acham que o governador e a vice Daniela erraram ao equiparar os salários dos procuradores do Estado com os procuradores da Assembleia Legislativa (e este é o foco do impeachment), sem a devida autorização da AL, então que caiam fora. Afinal e sendo assim, seriam coniventes com uma irregularidade.

Na “Carta aberta aos catarinenses”, o colegiado de Moisés manifesta “indignação com políticos que tentam retomar o governo do Estado”, e que não farão parte de “um governo que tenta nascer na estufa da impunidade e do desrespeito ao voto popular”. Ou seja, se Garcia (a quem se referem) assumir os 62 signatários da carta descem a escada com Moisés. Ora, é óbvio!  Mas, quem seriam, então, os políticos que tentam retomar o governo? Da gestão anterior (Raimundo Colombo)? Só para lembrar, fizeram parte do governo passado os secretários da Fazenda, Pauli Eli, André Mota Ribeiro (Saúde) e Paulo Koerich, chefe da Polícia Civil, entre outros nomes, que hoje servem à Moisés.

A Assembleia Legislativa deu ontem (22) os primeiros passos para analisar o segundo pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) e a vice Daniela Reinehr (sem partido). Agora, para apurar a compra de 200 respiradores ao preço de R$ 33 milhões pagos à vista e nunca entregues. Mesmo porque o equipamento não se prestava ao tratamento de pacientes em UTIs com a Covid-19. Do total, apenas R$ 11 milhões foram recuperados.

Moisés teria cometido crime de responsabilidade prestando informações falsas à CPI dos Respiradores, no processo de contratação do hospital de campanha de Itajaí e ao não adotar procedimentos administrativos contra os ex-secretários Helton Zeferino e Douglas Borba diretamente envolvidos. Já Daniela teria cometido crime de omissão no episódio de compra dos respiradores.

Em troca do voto do deputado Altair Silva (PP) contra o processo de impeachment do governador Moisés- e assim aconteceu- o presidente estadual do PSL, deputado Fabio Schiochet, destitui o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, do comando do partido no município. Agora, a Justiça Eleitoral concedeu liminar a Buligon, anulando, também a convenção do PSL, que decidiu indicar o vice na chapa do ex-deputado João Rodrigues.

Deputado estadual Ricardo Alba(PSL), um dos nove candidatos a prefeito de Blumenau, retoma uma das propostas de campanha do presidente Jair Bolsonaro sobre a venda de armas de fogo e protocola projeto de lei isentando do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias a compra de armas e munições. Para caçadores, atiradores (clubes) e colecionadores, residentes e domiciliados em Santa Catarina. Em média, a carga tributária sobre produtos importados é de 120% sobre o valor do equipamento.  A proposta - diz Alba (na foto com Bolsonaro) -, serve para impulsionar o acesso a esses itens e fomentar o tiro esportivo. Não por acaso, Blumenau tem 40 sociedades do gênero.

“Esse negócio de nova política e velha política é uma baboseira, um negócio cafona. Só existe um tipo de política, a decente”. A frase é do senador Jorginho Mello (PL) ao “constatar” que o governo Federal “tem se mantido bastante sensível às demandas de Santa Catarina”. E que ele, particularmente, em dois anos de mandato já garantiu repasse de R$ 130 milhões em emendas para o Estado. Alguém viu um tostão disso aqui pelo Vale do Itapocu? Só para lembrar: em 2018, levou 40 mil votos de eleitores de Jaraguá do Sul, Massaranduba, Guaramirim, Corupá e Schroeder.