Ghandi tinha razão

Sônia Pillon

Sônia Pillon é Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul. Nasceu em Porto Alegre (RS), com formação em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto e Gramática pela Univille (SC). 

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Por Sônia Pillon

Vivemos tempos tumultuados, e essa afirmação não é novidade para ninguém. O problema é que situações de intolerância e banalização da violência alcançaram índices inaceitáveis.

Enquanto de um lado ainda existem pessoas que ainda se chocam e se revoltam com conflitos bélicos, chacinas e mortes de inocentes, de outro lado há uma parcela da população anestesiada e insensível a esses fatos.

O ser humano parece ter riscado a palavra “diálogo” do dicionário. Não existe mais espaço para a argumentação. As pessoas perderam a capacidade de escutar, de discernir entre o certo e o errado.

Simplesmente não aceitam serem questionadas ou contestadas, mesmo que o outro lado esteja com a razão. Aliás, saber que o outro “tem razão” pode ser motivo de raiva, quando o orgulho falar mais alto. Exagero? Não!

Infelizmente, para alguns, basta uma opinião contrária, uma discordância no trânsito, um posicionamento político divergente, ou mesmo um simples pedido para colocação de máscara de proteção e começam os xingamentos, as agressões físicas, que muitas vezes resultam em mortes. São pessoas movidas pelo ódio e egoísmo, que não aceitam perder em nenhuma circunstância. Nem que para isso tenham que calar o oponente para sempre.

Outro exemplo são as vítimas de feminicídio, que refletem o lado mais perverso do machismo: o orgulho ferido do “ex” que não aceita o fim do relacionamento.

É estarrecedor também ver as notícias de torturas praticadas e assassinatos de vulneráveis e indefesos, como crianças, idosos e pessoas com deficiência, covardemente. Via de regra, os agressores são justamente os que deveriam protegê-los e ampará-los. Isso sem falar nos animais, que são frequentemente vítimas de maus-tratos, alvos da crueldade humana.

Aonde vamos parar com tudo isso? Com certeza, precisamos resgatar os valores humanos. Como disse sabiamente Mahatma Ghandi: “Olho por olho e o mundo acabará cego”.