Fim da festa com o dinheiro público na Câmara de Vereadores de Joinville

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 55 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Liderados pelo presidente da Câmara, Maurício Peixer (PL), um grupo de 11 vereadores que o apoiaram para comandar o Legislativo nos próximos dois anos, decidiu pôr um fim nas diárias pagas aos vereadores de Joinville. Era, até então, uma farra com o dinheiro público.

Seguidas viagens a Florianópolis, quando não para outros estados, não raro com justificativas esfarrapadas e nem sempre realizadas conforme o destino anunciado, rendeu um bom dinheiro para vários deles na legislatura passada, já que não se exigia comprovação de despesas.

Vamos copiar?

Agora, segundo Peixer, um vereador que precisar ir à capital do estado para uma reunião com o governador, ou deputados, por exemplo, terá um carro da Câmara à disposição para o deslocamento.

Se a agenda for de um compromisso em Brasília, o vereador terá as passagens de avião pagas pelo Legislativo, mas não terá, nos dois casos, cobertura das despesas de alimentação ou hospedagem. Ou seja, as diárias custeadas pelo contribuinte.

Que tal a Câmara de Jaraguá do Sul copiar? Vai esperando, vai esperando!

Agora vai

Luís Fernando Almeida (MDB) está propondo a criação de um Código de Ética na Câmara de Jaraguá do Sul e já apoiado pela maioria dos colegas. São regras básicas para a conduta de vereadores, dentro ou fora do Legislativo.

Quando presidia a Câmara, o atual diretor de Desenvolvimento Rural, Marcelindo Grunner (PTB), propôs a mesma coisa, mas o projeto foi rejeitado: cinco votos favoráveis (são necessários oito), quatro abstenções e um único voto contra, do vereador Ademar Winter (PSDB). Que, agora, apoia.

Sinal verde

Depois de a Polícia Federal de Brasília afirmar, em documento, que não encontrou indícios da participação do governador Carlos Moisés (PSL) na compra fraudulenta dos 200 respiradores para tratar infectados pela Covid-19 em leitos de UTIs, também o Ministério Público de Santa Catarina decidiu arquivar investigação em inquérito civil que citava o governador.

Salvo conduto

Com isso, Moisés ganha um atestado de idoneidade da PF e do MPSC. E será, sem quaisquer dúvidas, inocentado também pela comissão julgadora da Assembleia Legislativa e do Poder Judiciário, em julgamento que ainda não tem data marcada.

Tempo suficiente para consolidar a nova base de apoio na AL - MDB, PP, PSD, PDT e parte do PSL. E o governo de coalizão onde já estão o PP, MDB e PSD.

E os culpados?

Mas, afinal, quem responderá pelo sumiço de R$ 33 milhões pagos adiantados, sem licitação e nenhuma garantia de que os equipamentos seriam entregues e nos modelos encomendados?

O MPSC afirma ter ouvido 40 testemunhas e interrogado 19 pessoas ao longo do inquérito. E que apesar da exaustiva busca por elementos que denotassem eventual envolvimento do governador do estado, não foi possível encontrar nenhum indício que o confirmasse”.

BR-470

Em Brasília, durante audiência com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, o governador Carlos Moisés (PSL) propôs investimentos do Estado para acelerar a obra de duplicação da BR-470, entre Navegantes e Indaial, no Vale do Itajaí.

Moisés disse que o modelo está em estudos e que será debatido, também, com a bancada federal catarinense, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. A ideia é dar mais velocidade a duplicação da principal rodovia daquela região, que anda a passos lentos. E o ministro topou, é claro.

BR-280

Sobre a duplicação da BR-280, o governador apenas citou que o Estado está investindo em obras no trecho urbano da rodovia, entre Guaramirim e Jaraguá do Sul.

Quanto ao trecho federal, nem um pio de Moisés sobre as obras que se arrastam há seis anos, com recursos minguados e sem perspectivas de conclusão no médio prazo.

Aliás, e só para saber: o Estado, disse o governador, também vai contratar o projeto de recuperação do trecho sul da BR-163, entre São Miguel do Oeste e Itapiranga.

 

*A opinião do colunista não reflete necessariamente a opinião do veículo