Esperando uma solução

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 55 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Alvo de inquérito do Ministério Público por suspeitas quanto a lisura do processo licitatório, o prolongamento da Via Expressa (saída Norte de Blumenau), uma obra que interessa diretamente ao Vale do Itapocu, dando à SC-108 um novo traçado para quem demanda à Vila Itoupava, Massaranduba, Jaraguá do Sul, Corupá e BR-280, continua parada. A empresa Cetenco Engenharia, que também atua na duplicação da BR-280 (trechos federal e estadualizado) foi a vencedora da licitação em 2014. O trajeto, de difícil execução por ser bastante pedregoso, tem 15,6 quilômetros, mas apenas 1,9 km foram abertos.

Desapropriações na Justiça

Todo o resto ainda carece, também, de muitas desapropriações e não poucas delas foram parar na Justiça por discordâncias dos proprietários quanto a valores oferecidos. A obra está parada desde 2017. O governador afastado, Carlos Moisés (PSL), e a governadora interina Daniela Reinehr (sem partido) já prometeram retomar a obra, orçada em R$ 147,2 milhões (valores de janeiro) ainda em 2021. Com a garantia de que há recursos próprios do Estado em caixa. No total são nove viadutos, três alças de acesso e cinco pontes. Porém, já estamos em abril e tudo ainda é um mistério.  

Multa ou benefício?

A empresa Weigamed, principal protagonista na importação fraudulenta dos 200 respiradores pulmonares da China, ao preço de R$ 33 milhões, pagos adiantados e nunca entregues, foi multada pela secretaria estadual da Saúde em R$ 3,3 milhões. Ou dez por cento do valor do contrato. O caso está em investigação criminal e motivou o segundo pedido de impeachment de Carlos Moisés (PSL). Ainda sem data para o julgamento final.  Multa ridícula, diga-se, diante de tamanho roubo.

Cobrando apoio de Bolsonaro

Leal ao presidente em todos os embates no âmbito do Congresso Nacional, o senador Jorginho Mello (PL) teria cobrado de Jair Bolsonaro (sem partido), que deu destaque nacional ao também pré-candidato a governador, João Rodrigues (PSD), quando visitou Chapecó na quarta-feira (7), sobre a quem apoiará em 2022 em SC. Bolsonaro teria dito que seu candidato é o próprio Mello. No Paraná, Ratinho Júnior (PSD) e, no Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni (DEM), deputado federal e atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. 

Dinheiro para obras federais

Nas discussões sobre promessa do governador afastado, Carlos Moisés (PSL), feita ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para investimentos do Estado em rodovias federais, o deputado Marcos Vieira (PSDB), que votou contra o pedido de impeachment, disse que isso não significa cortes orçamentários em relação às rodovias estaduais. E que o governo tem previsão de investir R$ 4 bilhões em infraestrutura rodoviária “nos próximos anos”. E o que seria “próximos anos?”. Isso inclui o ano eleitoral de 2022? Haverá tantos recursos próprios em caixa? Até lá, vão ficar sentados em cima do dinheiro? E cadê os projetos?

Palanque para Bolsonaro

A proposta de Moisés vai à sanção da governadora interina Daniela Reinehr (sem partido). É improvável que ela, bolsonarista que é, vete. Quer mais é dar palanque à reeleição de Jair Bolsonaro (sem partido). Assim, e via crédito suplementar (tira-se de um setor para pôr em outro), dos R$ 400 milhões para rodovias federais em grana do Estado, R$ 100 milhões vão para a duplicação da BR-280, entre Joinville e São Francisco do Sul. Onde praticamente nada foi feito. Mas, o dinheiro não poderá ser usado em desapropriações. São centenas delas pendentes. Já do “lado de cá” da BR-101 não muda nada. Seguimos a passos de tartaruga.