CPI da Pandemia: "Um grande deboche"

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 70 anos, 55 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Orçamento arrombado

Só em obras de infraestrutura rodoviária, mais especificamente na duplicação das BRs-470 e 280, (na foto o viaduto em construção em Araquari), que mais interessa à região do Vale do Itapocu, Norte e Planalto Norte, Santa Catarina perde pelo menos R$ 100 milhões em 2021.  No caso destas duas rodovias, são obras que se arrastam há cerca de seis anos. Os cortes evitam que o governo federal ultrapasse o teto de gastos máximos do orçamento (é crime), arrombado com investimentos em ações contra a Covid 19. Só no ano passado, foram mais de R$ 600 bilhões.

Gritaria geral

E a gritaria já se faz ouvir, começando pela Federação das Indústrias de Santa Catarina. Então, senhoras e senhores deputados estaduais (que aprovaram), empresários (alguns), formadores de opinião que aplaudiram a liberação de R$ 250 milhões do Estado para obras nestas duas rodovias, é hora de exigir, sem mais delongas, que o governador de plantão- Moisés ou Daniela- libere imediatamente este dinheiro. Sob pena de se repetir aqui a BR-101/Sul, obra que se arrastou por 14 anos. Aliás e enquanto isso, nossas rodovias estaduais apodrecem.

Enfim, o bom senso

Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei que trata da entrega de um “manual de manutenção” quando da inauguração de obras públicas. A proposta foi sugerida pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Ponte Hercílio Luz, em 2019. Para disponibilizar aos poderes públicos orientações sobre a manutenção preventiva e conservação de obras concluídas, evitando problemas e gastos futuros. Tragam exemplares para cá, urgente! Nossas pontes, neste quesito, estão ao abandono há décadas.

É pra rir?

Omar Aziz (PSD-AM), presidente; Randolfe Rodrigues (Rede – AP), vice-presidente e Renan Calheiros (MDB –AL), relator. Alguém acredita na seriedade das investigações que a CPI da Pandemia com estes três no comando, quando se sabe que a busca envolve governadores de estados de onde eles se originam envolvidos em roubalheira de dinheiro público?

“Um grande deboche”

Aliás, o senador catarinense Jorginho Mello (PL), um dos 11 membros titulares da CPI, rotulou como “um grande teatro, um deboche” a indicação de Renan, Randolfe e Aziz para comandar os trabalhos. “Eu quero saber onde foram gastos os recursos que o governo federal enviou aos estados e municípios”,disse.

Onde está o dinheiro?

“Quero saber o que compraram, quais providências tomaram para salvar vidas. Porque não é possível gastarem esta fortuna (mais de R$ 600 bilhões) e deixarem a população desprovida de leitos de UTI, de hospital, medicamentos e tudo isto que estamos vendo”, emendou Mello.  Um dos primeiros a ser ouvidos (hoje/29) deverá ser o ex-ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta. Inimigo público de Jair Bolsonaro.

Cuspindo no cocho

O PDT catarinense, leia-se Manoel Dias, presidente vitalício do partido no Estado e ex-ministro do Trabalho de Dilma Rousseff (PT), aposta todas as fichas em nova candidatura de Ciro Gomes (PDT), também ex-ministro de Dilma, à presidência da República em 2024. Como alternativa à disputa já polarizada entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula da Silva (PT). O marqueteiro de Ciro para difusão das ideias do pedetista é João Santana, o mesmo que produziu as campanhas de Lula e Dilma. A ideia é revelar todos os “podres”- ironicamente do governo a que Dias e Ciro serviram- mas sem usar uma linguagem chula e costumeira de Ciro.

Eu quero é mais!

Rolam conversas entre o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), e os ex-deputados Gelson Merisio (PSDB) e João Paulo Kleinübing (DEM), também ex-pefeito de Blumenau, na tentativa de compor as chapas majoritárias para 2022. Merisio para senador e Gean governador. Porém, Merisio só seria liberado pela JBS, dos irmãos Batista (ele faz parte do conselho de administração) se disputasse a eleição para governador. Porque, afinal, fez mais de um milhão de votos em 2018. Derrotado, na verdade, pela “onda Bolsonaro” e não por Carlos Moisés