COVID-19 - QUANDO MORREM OS PRINCÍPIOS

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Ninguém tem razão; ninguém está correto, e muito menos, errado! O mundo está em “stand-by”, aguardando que, como milagre, o vírus desapareça. E, embora não aconteça, continuaremos nós, a contagiar a todos com nosso compreensível ódio pelas autoridades que, sem capacidade de liderança, mostram a cada dia, total desconexão em relação ao ganha pão de cada um de nós! Para esses parlamenteares que vivem em um mundo paralelo, cometer malfeitos é uma virtude! Senão, como se explicaria o fato de, em plena guerra viral, estarem licitando valores bilionários para marketing pessoal? Basta! Esta crise está colocando à mostra, as vísceras de um sistema político ao qual não devemos reverência alguma.

Uma análise profunda se faz necessária diante do estado de inconformidade, do pânico, da incredulidade e do ódio que nos leva ao amargor das palavras e ofensas gratuitas entre nós, usuários de redes sociais. Não somos nós, os inimigos! Não é à toa que a palavra Respeito vem do latim respicere, “olhar de novo”, que também poderia ser entendido como “olhe de novo, reflita à motivação que o outro provoca”. Algumas vezes não nos sentimos motivados o suficiente para nos expressarmos, e em tom de desabafo, a resposta tende a ser interpretada como desacato ou desprezo. Podemos dizer que as pessoas não ouvem para compreender, ouvem apenas para responder motivadas pelo ódio que sentem pela polaridade conduzida pelo radicalismo midiático que trata o cidadão como um idiota!

Sobre o fato de seguir a quarentena ou não, em Dois Tratados sobre o Governo (1689), John Locke defendeu que os indivíduos são iguais e independentes, e deveriam ser plenamente livres para decidir suas ações, dispor de seus bens e regular os semelhantes que possam vir a ofender os seus direitos. Nada disso seria possível sem a Reverência, que foi profundamente investigada por Kant (1724-1804), para quem as pessoas deveriam ser respeitadas como “fins em si mesmas” e não “meios para os outros” – como ele mesmo afirmou em A Metafísica dos Costumes (1797).

O Respeito aos Princípios, certamente, não é um assunto novo. Estudos extensos sobre Respeito, especialmente o Respeito por Reverência, já constavam na obra de Confúcio (551-479 a.C.), como pode ser percebido em “Os Analectos”, os Diálogos de Confúcio. Todavia, a obrigação Moral, de sempre termos Reverência para com TODAS as pessoas, é no mínimo controversa. Deveríamos ter Reverência para com terroristas, estupradores, traidores e ladrões do erário público, julgados e condenados em todas as instâncias? Para responder a essa pergunta, utilizaremos a famosa frase: “cada pessoa é a pior inimiga de si mesma”.

Quando o Respeito é reduzido ou ausente, principalmente pelos agentes públicos, as relações são desumanizadas; a cortesia, a fraternidade e a cooperação tendem a desaparecer; e a hostilidade, o abuso, a agressão e a manipulação indiscriminada, rapidamente ganham espaço. Como resultado, a escassez de Respeito resulta em uma sociedade imersa em falsas esperanças, intolerância, ódio e frustração.

Resta saber até que ponto conseguiremos nos afundar neste abismo de leviandades sem perder a capacidade de coexistir com um mínimo de inteligência e sabedoria. E a saída para este impasse, certamente será um dos grandes desafios que as próximas gerações terão que enfrentar. Hoje, já não se dá tanta importância a honra como se dá ao espetáculo grátis. Os audaciosos se levantam com aplausos, e embora com submissão, prestam-se ao ridículo para alcançar seus objetivos, valendo-se de qualquer meio, por mais insano ou imoral que seja. São pessoas que cresceram sem princípios, e são aqueles que aniquilam as leis porque as impedem de serem aplicadas. São hoje, pessoas sem escrúpulos, que ao conceberem suas próprias leis e princípios enraizados na vaidade e na soberba, não são senão aqueles que se ajustam à estreiteza de suas consciências e aos raquitismos de suas mentes doentias.