AMOR PRÓPRIO OU AMOR AO PRÓXIMO?

Krismaira Rau Marcon

Psicóloga Infantil, Adultos e Casais. CRP 12/04595 , Psicopedagoga e Psicogenealogista.

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Desde a muito tempo, ouço, leio e escuto argumentos onde nos preocuparmos com o outro em primeiro lugar é nobre, mas será que isso é realmente verdade? Pela minha caminhada em diversas estradas que escolhi passar para conhecer realidades diferentes e ter novos aprendizados, percebi o quanto as pessoas se sentem focadas em olhar o outro, cuidar do outro e esquecerem de si.

A nossa história humana com o passar das gerações tem uma crença que temos que nos preocupar com o próximo, fazer mais pelo outro, que assim vai nos fazer ser visto pelos outros como uma pessoa boa, do bem. Infelizmente, essa forma de ver a vida, somente desta forma de ser, com o outro é uma ilusão, assunto tão presente em sessões de psicoterapia. A necessidade de aprovação e aceitação do ser humano tornou-se mais primordial do que a própria vida.

Acompanhamos pessoas adoecendo, desistindo de viver, sofrendo por frustrações que vieram de expectativas colocadas por si e pela sociedade. Pessoas fazendo de conta que é, que sente, vivendo de “aparência”, com depressão, crises de pânico ou demais doenças crônicas.A sociedade e as crenças dos nossos antepassados nos ensinaram a trabalhar, ser alguém pelo que faz e se ocupar, pois senão a mente vira a oficina do diabo.

A família ideal se forma, filhos crescem, o casal se tolera ou não se conhece mais e vivem com o que dá, até que tudo rui. Uma separação, uma perda, uma doença e aí quem nos tornamos?

As perguntas que mais chegam na clínica é “quem eu realmente sou??” Quem é essa pessoa que me tornei?? Não tenho razões para sorrir e sinto uma grande tristeza, o que eu faço? Primeiro vamos buscar sua história, suas referências, suas dores e vamos ao encontro do seu Eu, do seu Eu verdadeiro, da sua essência, daquele ser que se escondeu no meio de tantos direcionamentos que te levou a ser sombra até de si mesmo.

Aí sim, quando você sentir orgulho, admiração por você, conhecer seus pontos fortes e fracos, reconhecer suas tendências e amar a si mesmo, a entrega ao outro será na medida certa. Será leve e da forma que você sabe que não terá consequências negativas, pois estarás inteiro para a experiência de ajudar o próximo. Caso não seja tão positivo a troca com o outro e se não der certo em algum momento, a sua alma vai buscar os ensinamentos do pra quê essa experiência lhe serviu. Somos seres cheios de expectativas, de necessidades, de amor e trocas, mas com seu autoconhecimento, vamos perceber nossos limites e nossas diversas formas de entrega. Ajudar o próximo, cuidar dos outros é maravilhoso, desde que não passe por cima das suas próprias necessidades de se amar e cuidar bem de você.

Com o tempo a vida nos ensina, que podemos ser tudo que quisermos, mas em tudo existe a causa e o efeito. Cuide de você, olhe pra você e lembre-se que somos referencias para os outros, como  pais, como profissionais, como pessoa e da forma como somos na vida, podemos continuar com a crença limitante de que pela carência somos amados ou seres transformadores onde serão respeitados pelo amor próprio, não egoísta, mas consciente, que para mudarmos o mundo, precisamos começar com nós mesmos.

Até mais! Se cuidem!