A ARTE DA GUERRA

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

Ver artigos

Assistindo a uma das aparições públicas do Presidente da República, ouvi-o dizer a uma senhora que insistia para que ele ajudasse algumas pessoas que estavam sendo perseguidas pelo STF: “Calma, tudo vai se resolver e as coisas vão voltar à normalidade”. Pensei: poxa, mas, de que forma este homem, com uma serenidade nada convencional, atacado por todos os lados, de golpe em golpe, por Dias e Maias a fio, por lacaios, traidores e afins, poderia afirmar que tudo voltaria a normalidade? Isto levou-me a refletir, e em seguida, encontro um texto do economista Emanoel Barros, publicado em seu perfil no Facebook em 18 de junho.

Ele explica com certa astúcia, segundo a Teoria dos Jogos, de que forma o Presidente da República tende a vencer os obstáculos políticos e a perseguição que, contra ele, persiste há um ano e meio. Basta para isso, compreender o Dilema do Prisioneiro! Ou seja, quando dois presos são levados a prisão, e a Polícia Federal deseja saber quem são seus chefes, eles os isolam e sugerem uma delação premiada em troca da redução da pena. Ambos não sabem o que o outro vai dizer, e o isolamento os faz repensar suas estratégias. Se ambos delatam ao mesmo tempo e, com o mesmo discurso, a redução de pena é pequena. Porém, se um não confia no outro, um deles vai delatar primeiro. O objetivo, na verdade, é minar o concorrente, destruir seus planos. Se ambos carregam muita a culpa nas costas, ou escondem o jogo, ambos, não importa o que aconteça, irão preferir ficar em silêncio.

Analogamente, o Presidente da República prova que é inocente ao não aceitar cooperar com o Establishment, o sistema corrupto. Só delata quem tem algo a negociar, ou quem é culpado e deseja livrar-se do crime, ou da punição. O Presidente recebe os golpes, pois não tem nada a esconder ou que o faça cair. Assim, não existe aquilo que os economistas chamam de equilíbrio de Nash (cooperação em prol da corrupção). Nesse caso, vira um jogo sequencial. Um ex-juiz “delata” publicamente para a Globo e o STF. Um ex-ministro da educação sai em silêncio como herói e provável candidato à Presidência em 2026. O STF prende ou desativa vários seguidores do Presidente da República, todos alvos do inquérito do fim do mundo, as Fake News. Resultado? Todos estão no mínimo eleitos deputados! É muito tiro no pé!

Só lança mão do jogo sequencial quem não tem nada a temer. A PF apura o Covidão dos governadores e prefeitos e prendem em revanche, o Queiroz! E assim, os algozes, STF, Parlamento, Globo, CNN BRASIL e etc., vão gastando suas munições. O Presidente não é atingido. O Brasil que não está indignado com a corrupção da pandemia é um país moralmente morto. E, acreditar que basta denunciar um Governo como antidemocrático e fascista, sem fazer um sério exame de consciência sobre as próprias culpas, seria desonrar a democracia. Nessa guerra, soldados fiéis caem mortos no campo de batalha, e por isso, existe a sensação de injustiça, como se o Presidente não os estivesse defendendo. Mas, a guerra tem fim, embora seja ganha em 10 ou 15 anos, ou no tempo que durar a munição dos delatores, ou do Establishment. Munição esta, que damos a eles, como cidadãos, através do voto!

Não será espanto, se mais alguns seguidores do Presidente forem atingidos. Tornou-se uma honra ser perseguido pelo STF. Suas vidas mudam e eles se transformam em grandes nomes do hall da fé do Novo Brasil que começa a nascer! Essa é a estratégia de guerra usada pelo Presidente da República: a paciência, a melhor das virtudes da Arte da Guerra. Não esperemos que um herói nos salve da lama que nós, brasileiros, criamos ao escolher de forma errada, os prefeitos, vereadores, deputados e senadores, ou mesmo, “presidentes” anteriores. Nós, brasileiros, precisamos aprender, na paciência e na dor, o que significa o valor de uma escolha errada. E, para continuar errando, basta distanciar-se da política!