A COROA DA DISCÓRDIA

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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A primeira pandemia da qual se tem notícia foi a gripe Influenza em 1580. Depois desta, foram relatadas mais 32, sendo as últimas seis, em 1889, 1900, 1918, 1957, 1968 e 2009, dentre elas, a supergripe “Espanhola” que matou em 18 meses, entre 1918 e 1920, mais de 70 milhões de pessoas, e infectou mais de 50% da população mundial. No dia 2 de março de 2019, bem antes de se decretar a pandemia atual, os biólogos chineses Yi Fan e Peng Zhou, do Instituto de Virologia de Wuhan, publicaram um artigo científico sem muita repercussão na comunidade acadêmica internacional, tampouco, da imprensa e das autoridades. Outrossim, uma frase logo no primeiro parágrafo do artigo, causa hoje, espanto pelo tom premonitório: “É altamente provável que surtos futuros de Coronavírus se originem de morcegos, e há uma probabilidade maior de que isso ocorra na China”.

Nem o mais pessimista dos futurólogos poderia imaginar que, em menos de dez meses, a previsão se tornaria realidade: a descoberta de um novo Coronavírus, virou do avesso o ano de 2020. As notícias começaram a surgir nas últimas semanas de 2019, quando médicos notificaram um aumento do número de crises respiratórias na cidade de Wuhan, no leste da China. Poucos dias depois, já se sabia que o quadro misterioso fora provocado por um tipo desconhecido de Coronavírus, da mesma família de agentes que estiveram por trás das epidemias de Sars (síndrome aguda respiratória grave) em 2002, e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), em 2012. Essa família viral está no planeta há 300 milhões de anos, sendo mais antiga que os dinossauros!

A Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou a repórteres na Suíça, que o nome oficial da doença causada pelo novo Corona vírus, passaria a ser Covid-19. A palavra Corona vírus refere-se ao grupo de vírus ao qual ele pertence, e não à última cepa (clone de um vírus anterior com a finalidade de estudos em laboratório). O vírus em si, foi batizado como SARS-CoV-2 pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus, a quem é atribuída essa função. O novo nome é retirado das palavras “co-rona”, “-rus” e “d-oença”, e o numeral 19, representando o ano em que o surto foi relatado à OMS. A OMS recomendou o nome temporário 2019-nCoV, que inclui o ano em que foi descoberto, “n” para novo e “CoV” para Corona vírus, porém, esse nome não “colou”. Para tentar diferenciar esse vírus em particular, os cientistas o chamaram de “novo Corona vírus” devido aos espinhos em forma de coroa quando vistos em um microscópio.

Nas semanas seguintes, as autoridades chinesas foram muito criticadas pela maneira como lidaram com a crise, assim que os casos surgiram. A morte de um médico chinês, cujos alertas foram suprimidos pelas autoridades, provocou a ira generalizada da população mundial. O governo chinês, então, “removeu” várias autoridades de seus postos por causa de suas ações inócuas para controlar a doença. Tardiamente, o governo central enviou uma equipe de sua mais alta agência anticorrupção a Hubei para, olhe só, investigar o tratamento que o médico havia recebido de sua própria polícia secreta. Por conta do atraso, não somente pela escolha do nome, mas, pela corrida misteriosa de governantes mundiais, inclusive brasileiros, à China em 2019, cientistas de todo o mundo reuniram-se em Genebra para discutir maneiras de combater o surto.

Sabe-se que muito dinheiro do governo dos EUA e de alguns bilionários, a exemplo de Bill Gates, incham as contas bancarias da OMS. E sabe-se também, que é impossível identificar qual forma o impacto terá, observando-se os danos econômicos causados por episódios similares no passado, especialmente, o caso da Sars entre 2002 e 2003, que também começou na China. Estima-se que o custo do surto de Sars à época para a economia mundial tenha sido de US$ 40 bilhões. Já a pandemia atual, causará prejuízos da ordem de uma dezena de trilhão de dólares em todos os segmentos da economia mundial. Não causa espanto, que tal cifra cause discórdia e instabilidade sócio política a ponto de não conseguir contornar uma ameaça tão séria, e ainda não foi vencida!