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Epagri tem boas estimativas para safra de verão 2020/21

Foto: Divulgação

A Epagri realizou na tarde da terça-feira (15) evento on-line para apresentar as estimativas para a safra de verão 2020/21 em Santa Catarina.

Esse ano a apresentação teve novidades, com a inclusão da maçã, da banana e da mandioca, e também da previsão climática para os próximos três meses.

De modo geral, a indicação é de crescimento nas principais culturas agrícolas do Estado, na comparação com o ciclo 2019/20.

A tendência de confirmação do La Niña na primavera foi o destaque da apresentação de Gilsânia Cruz, meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Epagri/Ciram).

Ela informou que, em decorrência do fenômeno, a previsão climática para setembro, outubro e novembro indica chuva variando entre normal a abaixo da média, com distribuição irregular no tempo e no espaço.

A temperatura deve ficar acima do normal para o período. 

Algumas características vão marcar a próxima safra de verão, entre elas o mercado aquecido para as principais culturas.

O aumento do recurso disponível para a safra e a redução dos juros também foram ressaltados pela analista, que chamou atenção ainda para a elevação dos custos de produção causada pelo impacto do dólar alto nos produtos que utilizam insumos importados.

Se as estimativas se confirmarem, o arroz, cuja área de cultivo maior na região se dá em Massaranduba e Guaramirim deve chegar ao final da safra 2020/21 com uma produtividade de 8.418 kg/ha, aumento de 0,32% em relação ao último ciclo agrícola.

O total produzido esperado é de 1.258.123 t. Na safra 2019/20 o grão já alcançou produtividade acima média, quando ficou em 8.391kg/ha.

A banana é uma importante cultura para agricultura familiar. A caturra deve fechar o ciclo 2020/21 com 632.009 t produzidas, volume 1,54% maior que na safra anterior.

A banana-prata deve ter aumento de 16,58% na produção, apesar da queda de -1,83% na área plantada. Ao final da safra 2020/21 Santa Catarina deve ter produzido 127.995t de banana-prata.

 

Presidente da Faesc analisa produção rural e o preço atual dos alimentos

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), José Zeferino Pedroso, fez uma análise isenta relacionando o produtor rural e o preço dos alimentos, que tem causado polêmica nas últimas semanas em razão do aumento ao consumidor final.

Segundo ele, o consumidor brasileiro tem a tranquilidade de viver em um regime de segurança nutricional, com oferta de alimentos baratos e em abundância.

De tempos em tempos a conjugação de alguns fatores – como seca, redução de área plantada, queda de produtividade, forte demanda internacional por produtos básicos e exportação estimulada pela posição cambial – provoca a elevação dos preços de alimentos da cesta básica no mercado interno.

"Mas, quem ganha, nessas situações, geralmente não é o produtor rural. A agricultura foi um dos poucos setores que – desde a eclosão da pandemia – nunca suspendeu as atividades.

Mesmo com prejuízos ou margens negativas, o produtor manteve a produção de leite, grãos, frutas, hortigranjeiros, ovos e carnes", registra. "Nesse período houve a elevação do custo de produção em razão da pandemia.

A agricultura é essencial, mas precisa também dar resultados. Deve ser economicamente viável e financeiramente rentável ao agente econômico, seja ele agricultor, produtor rural ou empresário rural", completa.

Crédito da Imagem: Site Faesc

Conjunto de fatores provocou o aumento do arroz no Brasil

Na análise, José Zeferino Pedroso citou o caso do arroz. O consumo mundial na safra 2018/2019 foi de 494 milhões de toneladas. O maior produtor é a China e o Brasil fica em 11º lugar.

No ano passado, o País colheu 12 milhões de toneladas, mas, os preços ruins dos anos anteriores e a seca deste ano levaram à redução da área plantada (houve migração para soja) e a safra baixou para 10,4 milhões de toneladas.

Além da produção menor, a situação cambial estimulou a exportação de arroz industrializado para o México. No início da colheita, o produtor recebia R$ 45,00 pela saca de 50 kg, preço que evoluiu para quase R$ 100,00/saca, segundo ele.

Entretanto, o mercado externo pagou melhor, razão pela qual o arroz brasileiro fluiu para o mercado mundial."É justo assinalar que os arrozeiros amargaram muitos anos de prejuízos e que os ganhos deste ano não repõem as perdas do passado.

Com a atual escassez do produto no mercado doméstico será necessário importar porque a próxima safra só entra em fevereiro de 2021".