POLÍTICA & POLÍTICOS

Celso Machado

Nascido em Blumenau, 68 anos, 53 de profissão, incluindo passagens pelo rádio. E em jornais diários como A Notícia (Joinville), Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e O Correio do Povo (Jaraguá do Sul).

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Saldo positivo

A visita do governador Carlos Moisés (PSL) a Guaramirim e Jaraguá do Sul foi afirmativa. É de se acreditar que, agora, a duplicação e revitalização do trecho urbano de 9 km da BR-280, entre os dois municípios, saiam efetivamente, do papel. Anunciada com toda pompa no primeiro governo de Raimundo Colombo (PSD), a obra foi abortada sem muitas explicações. O Consórcio Infrasul, Coneville e Setor Sul, de Joinville, venceu a licitação, o Estado tem o dinheiro- R$ 103 milhões em valores atualizados- o governador mandou fazer e ponto final. É projeto de grande impacto econômico e mobilidade. Neste trecho passam cerca de 30 mil veículos/dia. Mas não segue o projeto original, com vários viadutos e pontes, prevendo apenas a construção de elevado no acesso à Massaranduba. Historicamente, é o maior pacote de investimentos anunciados de uma só vez para a região.

Somando

Os investimentos no curto prazo anunciados pelo governador chegam a R$ 114 milhões. Além dos R$ 103 milhões para a 280 (recursos do Estado), outros R$ 2,155 milhões (verba federal) na recuperação da SC-108; R$ 5,5 milhões na compra de radar meteorológico; R$ 800 mil para estação de tiro olímpico voltada aos Jogos Abertos de 2020, vindos do deputado Vicente Caropreso (PSDB); R$ 3,87 milhões em custeio e manutenção do Hospital São José e R$ 180 mil para o Centro de Inovação, uma verba não paga pelo governo passado.

Mais lazer- Vereadores cobram do governo de Antídio Lunelli (MDB) mais investimentos em áreas de lazer em regiões mais afastadas do Centro. Em passado recente (governo de Moacir Bertoldi), associações de moradores se comprometeram a zelar pelos campinhos de areia instalados em áreas privadas cedidas sem custos. Na prática, com raríssimas exceções, não foi o que se viu. Quem sabe agora se possa retomar essa importante parceria.

Fraldas- Secretaria de Saúde de Jaraguá do Sul, por sugestão do vereador Eugênio Jurazesk (PP) estuda a viabilidade de se produzir fraldas no Presídio Regional. Com preços reduzidos para famílias cuja renda fica comprometida com a compra do produto. A ideia é ótima. Sem impostos na fase de produção, aliviaria o bolso dos mais pobres. Mas cria um inevitável conflito com o comércio tradicional. Afinal, são milhares de fraldas consumidas todos os dias.

Lá e cá- O presidente Jair Bolsonaro (PSL) esteve na segunda-feira (12) no Rio Grande do Sul inaugurando trecho de duplicação da BR-116, em Pelotas. No total, são 211 quilômetros (começou em 2012) a um custo de R$ 1,6 bilhão, com previsão de conclusão em 2020. Detalhe: quem faz a obra lá (agora) é o Exército. Ou seja, sem custo de mão de obra. Por aqui, desde que a duplicação começou, há 11 anos, a BR-280 não sai do lugar.

Quem explica?- Contando apenas as que foram contratadas e iniciadas em 2009 e com valores acima de R$ 1,5, milhão, Santa Catarina tem pelo menos 65 obras, do Estado (43) ou dos municípios (22) paradas. Somadas, batem na casa dos R$ 584,9 milhões. O levantamento é do Tribunal de Contas do Estado, que agora quer saber o porquê de tamanho desperdício de dinheiro público. Quando forem retomadas (se é que) a conta vai crescer.

Rodoviárias- O Terminal Rita Maria (a rodoviária de Florianópolis, maior do Estado) poderá ser concedido à iniciativa privada em proposta da Prefeitura. A estrutura atual, que exige investimentos constantes em manutenção, está se tornando um fardo orçamentário para o município. Joinville, aqui perto, é outro exemplo negativo. Construída sobre uma área alagadiça, a rodoviária Albrecht Germano Gustavo Konell, de Jaraguá do Sul, também está longe de ser uma referência. Inaugurada em 1992 no governo do ex-prefeito Ivo Konell e há muito relegada a um segundo plano, hoje é mero ponto de partida e chegada de passageiros. Um prédio sem investimento público capaz de dar um mínimo de conforto, seja para os passageiros ou a quem trabalha lá. Nem mesmo há um caixa eletrônico. Tudo é velho e desgastado pelo tempo, com grandes espaços físicos cedidos sem cobrança de nenhuma taxa ou aluguéis. Uma coisa é certa: a continuar nas mãos do poder público, só tende a piorar.

Trânsito restrito

Governo do Estado pretende restringir o transporte de cargas em determinados horários durante a próxima temporada de verão ao longo das BRs-101, 282, 470 e 280. Os estudos vão definir quais os horários para que a economia, como um todo e não apenas o turismo, não seja prejudicada. Na justificativa, exemplo de viagens de até nove horas entre Curitiba e Balneário Camboriú.