ESSA TAL UTOPIA!

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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          Certa vez, durante uma palestra na universidade de Cartagena das Índias, na Colômbia, fizeram a seguinte pergunta ao cineasta argentino, Fernando Birri: Para que serve a utopia? Ele respondeu que “a utopia está no horizonte”, e completou: “Eu sei muito bem que nunca a alcançarei, por que se eu caminhar dez passos, ela ficará dez passos mais longe. Quanto mais eu caminhar, mais longe dela eu estarei, e ela se afastará ainda mais, à medida que eu me aproximar”. Boa resposta, não? A utopia serve para isso: “caminhar." A utopia, o sonho, serve para nos mover adiante. Talvez, seja um dos sentidos mais importantes de estarmos aqui. Mesmo conscientes da impossibilidade de se esquivar da morte, nos engajamos na vida, acreditando que a caminhada poderá ser bela e a experiência neste mundo, significativa.

        Utopia é uma palavra grega que significa “lugar que não existe”. Este assunto foi abordado tanto por Platão, na Grécia, como por Virgílio, em Roma. Contudo, foi no Renascimento, por volta de 1516, através do livro Utopia, do escritor inglês Thomas More (1478-1535), que este vocábulo surgiu. Sua obra tece críticas à sociedade em que vivia, à guerra, ao exército e à gloria concedida a estadistas à custa do sangue dos súditos. Para o autor, o administrador que não é corrompido pelo dinheiro tem melhor desempenho e, por isso, na ilha imaginária, Utopia, o dinheiro, as riquezas, a propriedade privada e a intolerância religiosa, foram abolidas. Thomas teria se fascinado pelas narrações do navegador Américo Vespúcio sobre a ilha de Fernando de Noronha, levando-o a escrever a narrativa de um lugar onde se viveria em paz e em plena harmonia, com costumes e esquemas sociais completamente puros e perfeitos. Utopia, revela-se em um primeiro momento, como o desejo de conseguir uma sociedade ideal através da doutrinação que aspira a uma transformação da ordem social existente de acordo com os interesses de determinados grupos. Utopia fez muito sucesso na época e mais tarde foi admirada pelos socialistas que a viram como uma crítica poderosa à exploração econômica na Europa medieval. O termo “utopia” permanece há séculos e ainda influencia a literatura com a criação de obras de ficção, filosofia e política, a exemplo de:  O Capital (1848), de Karl Marx e A Utopia Moderna (1905), de H G Wells.  

        Utopia e distopia são conceitos que fomentam a discussão acerca da realidade. A distopia, por sua vez, apresenta uma visão negativa de futuro, sendo geralmente, caracterizada pelo totalitarismo, autoritarismo e pelo opressivo controle da sociedade. Nas distopias, pior dos mundos, o Estado normalmente é corrupto, e as normas que visam ao bem comum são flexíveis, e a tecnologia, utilizada como ferramenta de controle de indivíduos e empresas. Na distopia, a realidade para um mundo melhor não é possível, tanto que em suas criações ficcionais, os autores retratam o futuro com um desenlace catastrófico, e por isso, as obras distópicas são satíricas ou críticas. Dois exemplos famosos de distopia são as obras, “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous Huxley, e o romance clássico e distópico “1984”, do autor britânico George Orwell, publicado em 1949.

        Thomas More entrou para a corte do rei Henrique VIII como jurista, secretário, tradutor, diplomata, conselheiro e confidente. Foi eleito Presidente da Câmara dos Comuns, e serviu como importante ligação com o Lorde Chanceler Thomas Wolsey. Em 1527, um conflito custou a vida de Thomas More. Henrique VIII, casado com Catarina de Aragão, que só lhe dera uma filha, e temeroso de morrer sem deixar descendente masculino, quis casar com outra mulher. Divorciou-se contrariando a sua religião, mas Thomas, religioso, renunciou a chancelaria e negou-se a assumir a coroação da nova rainha e a reconhecer o rei como chefe supremo da Igreja da Inglaterra, que havia se separado de Roma. Acusado de alta traição, foi preso e julgado. Condenado à morte, foi decapitado em 6 de julho de 1535, vítima de sua própria utopia.

          Em tempos atuais, conflitos existenciais indicam que o modelo utópico de sociedade ideal, geralmente concebido como oposição à ordem política existente, é considerada impossível de se concretizar no prazo de poucas gerações. Por sua vez, utopia e distopia convergem para lados opostos quando se trata de direitos e deveres em uma sociedade democrática. Como diria o poeta: Ó, malvada utopia! Você que não me deixa ver sua face!

Notas

Partidos buscam mulheres para se lançarem em campanha - Com o veto às coligações proporcionais, partidos políticos têm feito uma corrida interna para ampliar o número de mulheres dispostas a se lançar em campanha. Como a nova regra obriga a partir deste ano que cada legenda tenha, de forma independente, ao menos 30% de nomes femininos nas urnas, partidos que não alcançarem esse percentual vão ter de barrar homens na eleição. Se a cota feminina não for alcançada, a lista de homens terá de ser reduzida na mesma medida e a chapa será então proporcional. Em eleições anteriores, quando a cota do gênero já estava valendo, mas o veto às coligações ainda não, os partidos se coligavam e valia a média de candidaturas femininas do bloco. Na prática, uma legenda podia salvar a outra. Agora é cada uma por si. E além de estabelecer uma percentagem mínima de candidaturas de mulheres, as regras eleitorais determinam que os partidos destinem ao menos 30% de sua verba do Fundo Eleitoral para as campanhas femininas. A corrida por mulheres candidatas está acontecendo em todos os partidos.

Escola de gastronomia organiza duas oficinas - O Chef Gourmet, escola de gastronomia sediada em Jaraguá do Sul, está organizando duas oficinas para capacitação de interessados no universo gastronômico. No dia 22, o chef e professor Gabriel Leoni fala sobre melhores cortes de legumes e verduras para várias preparações e também como congelá-los. Já nos dias 28 e 29, é a vez de a chef Dominique Conceição ensinar aos participantes os segredos da preparação de ovos de Páscoa. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (47) 9 9115-8506 e 3055-0679. Para saber mais, basta acessar www.escolachefgourmet.com.br ou seguir as redes sociais da marca.

Secretaria de Saúde promove audiência pública - Os resultados do último quadrimestre serão apresentados à população pela Secretaria de Saúde de Massaranduba na segunda-feira (24), a partir das 9h30min, na Câmara de Vereadores. O relatório dará também os números consolidados do ano. A audiência é o meio pela qual a comunidade pode acompanhar a execução da programação anual da saúde relativos a 2019 e os principais detalhes sobre recebimentos e aplicação dos recursos financeiros e prestação de serviços.

CARNAVAL – O Clube Atlético Baependi promove no dia 25, terça-feira, o carnaval infantil a partir das 14h, com animação do Dj Xalinho e tendo como atração o Robô Led. No local haverá food truck. Evento gratuito para sócios e não sócios a R$ 5,00. Até cinco anos é livre.

Centenário realiza a festa de rei e rainha - A Sociedade Desportiva Recreativa Rio da Luz II – Salão Centenário, realiza no dia 22, sábado, a festa de rei e rainha com baile, a partir das 18h com a concentração dos sócios e uma hora depois a busca das majestades, Muriel Cristo e Jehnefen Tonello (rei e rainha), Natalício Shimanski, David Horongozo, Cecília Schimanski e Tânia Fischer (cavalheiros e princesas). Aldoir Oldenburg será o comandante. O baile começa às 20h30min com a Banda GBD, posteriormente o Grupo Chama e para finalizar a noitada, o Grupo Talagaço. O valor por participante é R$ 35,00 com direito ao buffet, duas horas de bebidas livre (cerveja, refrigerante e água) e impresso para o baile. Quem for apenas para o baile pagará R$ 15,00.