Calculadora mental

Cristiano Mahfud Watzko

Graduado em Direito pelo Centro Universitário Católica de Santa Catarina, Pós-graduado (MBA em Direito Empresarial) pela SUSTENTARE - Escola de Negócios, com atuação no Departamento de Direito Tributário.

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Caro (a) leitor (a), recentemente li um texto no site da “Par Mais” e abaixo compartilho algumas informações. O texto tratava sobre o título deste artigo.

O conceito “calculadora mental” foi criado pelo ganhador do Nobel de Economia de 2017, Richard Thaler. Ela busca explicar uma tendência das pessoas em separar o seu dinheiro em diferentes categorias, ou “contas mentais”, baseado em critérios completamente subjetivos como a fonte de recebimento do dinheiro ou a sua intenção de uso.

Exemplo do “porquinho” – Uma pessoa tem um porquinho no qual ela guarda os seus trocados. Ela vai colocando moedinhas e quando tiver R$ 250,00, vai usar o dinheiro guardado para comprar um calçado novo. Essa pessoa atualmente tem R$ 150,00 no seu porquinho. Ocorre que no mês corrente, a conta do cartão de crédito veio mais alta que o normal, e não irá conseguir pagar a fatura total, gerando um saldo a pagar de R$ 150,00. Para as finanças comportamentais, dificilmente essa pessoa usará o dinheiro do porquinho para quitar o seu cartão, ainda que isso seja o mais sensato a se fazer. O dinheiro no porquinho não sofre nenhuma remuneração, enquanto a dívida de R$ 150,00 no cartão de crédito tem a incidência de juros altos, e logo custará bem mais que R$ 150,00 para ser paga. Porém, na cabeça da maioria das pessoas, essas duas contas estão separadas. O que quer se deixar a mensagem aqui, é que caso a pessoa optasse por pagar a fatura total do cartão, ela não pagará juros e será mais fácil guardar para comprar o mesmo calçado, contudo, poucos tomam essa atitude.

Exemplo do “cinema” – A origem deste é dos pesquisadores da Universidade de Princeton em 1984. No primeiro cenário, a pessoa vai a bilheteria de um cinema e compra por R$ 15,00 o ingresso para ver um filme, porém, quando está para entrar na sala do cinema percebe que perdeu o seu ingresso. Já no segundo cenário, a mesma que pessoa vai para a bilheteria do cinema, contudo, quando abre a sua carteira, percebe que perdeu os R$ 15,00 que havia separado para ver o filme. O resultado do estudo é o seguinte: apenas 46% dos participantes gastariam outros R$ 15,00 para comprar outro ingresso para o filme no cenário 1. Em contrapartida, 88% dos participantes compraria o ingresso no cenário 2. A questão nos dois casos é idêntica. E você leitor (a) estaria disposto a gastar R$ 15,00 a mais do que planejava pelo ingresso? Apesar da perda nos dois cenários ser de R$ 15,00, o fato de você já ter comprado ou não o ingresso influencia fortemente a decisão.

Liquidações - As liquidações também possuem o intuito de enganar a sua calculadora mental. Suponha que pensas em comprar uma camiseta de R$ 40,00 e, quando vai ao shopping, percebe que está ocorrendo uma liquidação e que ao comprar uma segunda camiseta você ganhará 40% de desconto nas duas. Caso opte por comprar duas camisetas, você terá um desconto em cada uma delas, no entanto gastará R$ 8,00 a mais do que esperava inicialmente, ou seja, o seu gasto total será 8% maior. Pense bem, se realmente precisas de duas camisetas, ou se a compra está sendo por impulso. Novamente, é a sua ‘calculadora mental’ que afeta a sua decisão.

E para o (a) leitor (a) como está a influência de sua ‘calculadora mental’ nas suas decisões financeiras? A resposta é sua. Desejo sucesso financeiro ao (a) leitor (a). Sinta-se à vontade para entrar em contato através do e-mail: [email protected] Até a próxima.