ALÉM DE UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

A J Marchi

Questionamentos evidentes, obviedades improváveis e banalidades incomodas. 

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Um ano atrás, visitei uma Escola Estadual de Ensino Elementar em um município próximo. Ao adentrar a uma das salas, percebi o quão relapso é o fator qualidade para o aprendizado. O flagrante descaso do Estado para com a saúde daquelas crianças me fez raciocinar em vez de ampliar meu ódio. Os insetos, do maruim ao borrachudo, carcomiam a pele de inocentes fazendo lacrimejar docentes que pouco ou nada poderiam ter feito além de heroicamente repassar conhecimento em meio ao caos e ventiladores extremamente ruidosos. Com a ideia de aplacar meu desanimo, expus às crianças o que presenciei em uma escola no exterior. Percebi que algumas delas, de desatentas, puseram-se a dar atenção a quem lhes dirigia a palavra. A reação havia sido extraordinária! Passei a falar sobre o ambiente escolar, a metodologia, segurança, trânsito e transporte escolar. Foi uma fantástica experiencia.

Ah, sim! De que modo reagiram as crianças? Com olhares atônicos sobrevoando a classe e para o que até aquele momento era visto por elas como normal! Miravam seus singelos olhares nas paredes perfuradas, cadeiras e mesas quebradas, janelas destroçadas e portas que mal se fechavam como se quisessem dizer: olhem para isso! É dessa maneira que nos tratam? Mas, um fato chamou a atenção! Disse-lhes da obrigatoriedade de naquele país, EUA, dotar-se todo estabelecimento educacional, de saúde e principalmente alimentar, de telas anti-insetos. A norma foi tão resolutiva no sentido de minimizar doenças, que há muito tempo atrás passou-se a estender seu uso para todas as residências. Uma das crianças, talvez a menor, perguntou-me: Porque aqui, não é assim? Outro, com certeza o maior, respondeu: - Ora, porque aqui no Brasil não existe uma lei que obrigue! Aliás - disse ele olhando-me nos olhos - lei como essa não dá voto! Meu pai sempre diz que obrigar o cidadão a mexer no próprio bolso não elege ninguém! Pensei com meus botões: - Para que precisamos de leis para algo tão elementar em nossas residências? Por onde vaga nossa inteligência se, nem ao menos não nos tornamos dignos de nos protegermos contra insetos?

Enquanto picam os mosquitos e defecam nos alimentos as moscas, inúmeros cidadãos não fazem esforço algum para prover sua propriedade de porta-lixos para que os cães, gatos, as moscas e os catadores não façam de sua rua uma tragédia. Se isso já é muito, imagine dotarem suas casas de telas anti-insetos! São eles que matam mais de um milhão de pessoas por ano em todo o mundo, a exemplo de Malária, Febre Amarela, Dengue, Doença de Chagas, Leishmanioses, Elefantíase. Segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças transmitidas por insetos representam 17% de todas as doenças infecciosas. Somente a malária, transmitida pelo mosquito Anopheles aegypti, infectou mais de 214 milhões de pessoas e matou 438 mil delas em 2015, em todo o mundo. Além da Chikungunya e o Zika que já fizeram mais de um milhão e meio de vítimas no Brasil, a Dengue, transmitida pelo Aedes aegypt, teve a sua incidência aumentada em 30 vezes nos últimos 50 anos. Além dos óbitos, registram-se anualmente bilhões de casos de patologias também transmitidas por insetos.

Desde a invenção do inseticida DDT em 1939, têm-se feito o impossível para acabar com os mosquitos, mas eles desenvolvem mecanismos de resistência a cada nova geração de veneno. A entomologista do Instituto Pasteur de Paris, Anna-Bella Failloux, sentenciou: - simplesmente não conseguimos erradicar os mosquitos. Por isso, a solução é evitar ser picado usando as técnicas disponíveis, como repelentes, roupas largas e claras, mas principalmente, telas anti-insetos, independentemente de leis que obriguem seu uso. É inadmissível que os responsáveis pela Saúde Pública, exceto em Jaraguá do Sul e região, nunca tenham se esforçado para difundir o uso gratuito de repelente nas escolas. É impossível imaginar que num país tropical como o nosso, não se de atenção a um problema tão grave, e também, que sucessivos governos tenham feito coro ao que disse aquele aluno em sala de aula.

E assim, sem que alguns desses sujeitos eleitos tomem para si tão apropriada matéria, os postos de saúde estão superlotados por pessoas com as mais diversas patologias oriundas de descuidos por não tornarem algo tão simples e viável, que são as telas anti-insetos e vedadores para portas, em solução efetiva para retirar o Brasil dos primeiros lugares no ranking de doenças tropicais contagiosas e transmissíveis. Neste quesito, estamos mais próximos do continente africano do que imaginamos! A solução? Precisamos investir em tecnologia sanitária para livrar este país das pragas e dos altos custos de saúde pública com fortes e claras campanhas educativas em prol de medidas protetivas aliadas ao interesse privado em investimentos oportunos nesta área da saúde pública. Na esperança de que algo possa ser melhorado, cumprimenta-se cada um daqueles que não mediu esforços para tentar, através do Consórcio Intermunicipal do Vale do Itapocu que criou o Controlador Bioativo do Maruim, controlar a proliferação desta praga que, realmente, está além de uma questão de Saúde Pública.

Notas

Samae implanta ramal de esgoto na Rua José Narloch - O Samae iniciou ontem (18), mais uma obra para de implantação de rede de coleta com o objetivo de cumprir a meta de atingir os 90% de tratamento de esgoto sanitário no município em 2020. A implantação da rede e os ramais que ligam às residências na Rua José Narloch vai acontecer por um período de aproximadamente duas semanas – dependendo das condições climáticas –, num trecho de 800 metros entre as Ruas Afonso Benjamin Barbi e Dorval Marcatto. As intervenções devem ser no horário das 7h30 às 17h, período em que o trânsito fluirá em meia pista. Motoristas poderão utilizar desvios pelas Ruas Francisco Hruschka e Adelina Klein Ehlert. Após a conclusão das obras, a rua será repavimentada pela Prefeitura.

Prefeitura vai adquirir novo lote de estufas à agricultura familiar - A Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento, por meio do Fundo Municipal de Incentivo ao Desenvolvimento Rural e Agricultura, lançou edital para registro de preços para seleção de propostas à aquisição de conjuntos de abrigos para produção agrícola (estufas) ao longo de 12 meses, destinados para incentivo à agricultura familiar de Jaraguá do Sul. Os envelopes com a documentação e as propostas devem ser entregues até o dia 27 de novembro. O valor máximo do orçamento é R$ 401.950,00. O Município vai adquirir várias unidades de abrigo para produção agrícola, com tamanhos diferentes e sistema de gotejamento para os canteiros, inclusive a cobertura. É o chamado cultivo protegido. Lançado em 2017, o Projeto Cinturão Verde é dividido em etapas. Já foram entregues estufas em 2018 e 2019 de tamanhos variados. Os participantes recebem capacitação, orientação e assistência técnica quanto a questão do plantio, do cultivo e a colheita. E também a organização do grupo de produtores.

Eleitos, Machado e Demarchi vão dirigir o IFSC Centro e Rau - O professor José Roberto Machado foi eleito diretor-geral do Campus Jaraguá do Sul-Centro. O novo diretor teve 419 votos de alunos, 17 votos de técnicos-administrativos e 37 de docentes, conquistando 52,82% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o candidato Élson Quil Cardozo, que somou 121 votos discentes, 24 votos de técnicos e 11 professores, alcançando 29,58% dos votos válidos. Servidores e estudantes participaram da votação realizada na quarta-feira, dia 13 de novembro. No IFSC Campus Rau, o candidato Delcio Luís Demarchi foi eleito o diretor-geral obtendo 57 votos de alunos, 23 votos de técnico-administrativos e 28 de docentes, conquistando 37,01% dos votos válidos. Por uma margem bastante pequena ele ficou à frente do candidato Gerson Ulbricht, que somou 39 votos discentes, 12 votos de técnicos e 26 professores, alcançando 36,90% dos votos. O resultado oficial foi divulgado na página oficial das eleições. A homologação do resultado deverá ocorrer no dia 16 de dezembro. A homologação é dada pelo Conselho Superior do IFSC. O mandato deverá iniciar em abril de 2020

Vereador defende grupo de brigadistas para escolas e creches - A necessidade de mais atenção quanto à segurança nas Escolas e Centros de Educação Infantil, no que se refere à prevenção de incêndios e outras possíveis ocorrências semelhantes, foi levantada na Câmara. Gruner mencionou a possibilidade de organização de um trabalho com medidas preventivas nas unidades educacionais. “Em caso de incêndio em uma escola, que atitudes devem ser tomadas pelos professores? Temos que criar mecanismos para que as pessoas possam ficar seguras”, ponderou, acrescentando que vai encaminhar ao Executivo uma indicação, com minuta de projeto, para criação de grupo de brigadistas para atender escolas com trabalhos de orientação e simulados de ocorrências. “A prevenção é a melhor arma”, alertou. Segundo Gruner o assunto foi debatido durante uma reunião com munícipes, em seu gabinete.

Município vai reformar escola e adquirir brinquedos às crianças - O Governo Municipal lançou edital para contratação de pessoa jurídica para prestação de serviços de engenharia com fornecimento de materiais e mão de obra, para reforma em uma área de 2.057,30 m² para troca de cobertura, de instalações elétricas e de cabeamento estruturado, na Escola Rodolfo Dornbusch, localizada na Rua Professor Irmão Geraldino, Bairro Vila Lalau.

As propostas devem ser entregues até o dia 29 de novembro, com abertura na mesma data. O valor máximo da contratação é de R$ 1.831.905,06. Outra licitação é para a compra de brinquedos diversos às escolas de educação básica e centros de educação infantil. As propostas serão abertas no dia 3 de dezembro. O valor de referência (orçamento) é de R$ 1.022.955,20.

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